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29 de mai de 2017

Do fundo do baú

Uma das lembranças de minha infância é uma varanda em frente de minha casa, que foi se desmontando, desmanchando. Não sei quando caiu a primeira tábua, mas depois de várias perdas, ela sumiu. Alguém decidiu que ela era inútil.
Essa lembrança fotográfica da varandinha sobra de saudades. Talvez porque ela guarde o encanto de brincar de boneca e casinha com minha irmã mais velha.Como sobrou essa lembrança da imagem de uma boneca caída do lado de fora e nós debruçadas entre as tábuas, tentando alcançar?
 No canto dessa varanda se enlaçava num barrote uma trepadeira com flores delicadas, azuis, parecidas com cachos de uvas. Há bem poucos anos eu descobri o nome dessa lindeza: glicínia.
E descobri também, para minha tristeza, o motivo dela ter minguado e desaparecido: sede.
Investigando para ver se ela vingaria aqui -sim, essa é a idade de refazer memórias-, soube que ela adora água. Nunca vi ninguém regando a pobre coitada.
Vou gastar os olhos com a mudinha que plantei. Quem sabe consiga alguma imagem assim?
(Faça um agrado aos seus olhos e digite Glicínia no Google/Imagens. Tem branca, azul, rosa, lilás.)