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10 de mar de 2016

Uma breve história destes tempos

(Nem tão breve, mas bem suja e indecente.)

Era uma vez um síndico, que usou o dinheiro do condomínio para fazer festas, viagens, compras exorbitantes, emprestar dinheiro a alguns vizinhos e moradores do prédio. 

Mandou dinheiro a alguns parentes que estavam no exterior, fez doações e investiu em algumas aplicações e aquisições de segurança duvidosa, entre outras coisas. Havia até uma imensa e caríssima placa na fachada para fazer o marketing do condomínio.

Para garantir alguma aparência de normalidade, pedia dinheiro a pessoas de caráter bem específico: caráter nenhum e perfil de bandido. Havia também alguns de fortuna e fama arranjada em sujas artimanhas.

Para continuar a festa sem fim dava um jeitinho contábil. Ele precisava, forçosamente, continuar no grupo que mandava no condomínio, para não deixar de receber umas vantagens todo final de mês - sempre havia alguma sobra de empréstimos sujos - e para posar de poderoso e influente com a vizinhança, no trabalho, na família, com o grupo de amigos da cidade e de fora dela.

Até que alguém decidiu afundar o pé na jaca e destrinchar aquela contabilidade. As portas do inferno se abriram. (Aqui em Floripa diríamos que alguém puxou o primeiro siri do balaio.)

Em meio ao temporal o grupo de administradores do condomínio(omissos e coniventes até então) comunicou, que, para que houvesse a mínima condição de pagar as contas atrasadas e futuras, os proprietários de todas as unidades teriam que cumprir novas decisões. Entre elas veriam subir muito, mas muito mesmo, o valor da taxa de condomínio. 

Também, disseram eles, seria selado o elevador, a piscina seria esvaziada, não haveria mais conservação dos jardins, o serviço de assistência médica seria cancelado ou cobrado à parte, a creche do condomínio teria só uma vaga por apartamento e haveria cobrança de pedágio na entrada do condomínio para ter acesso às garagens. Mais tarde ele comunicaria decisões sobre material de limpeza, esgoto e outras miudezas. Que usassem repelente, quando ouvissem zunidos de moscas e mosquitos. Pagaremos água e luz e olhe lá!

"Estamos quebrados!" 

Os proprietários começaram a se organizar, a rebelar-se contra essa bandidagem estabelecida. Houve quem jogasse um tijolo na janela do carro do síndico. Os vizinhos não demoraram a saber da desdita e falar mal daquele lugar mal administrado.

"Audácia! Não enxergam que estou fazendo de tudo para salvar o condomínio? Vocês é que não colaboram! E eles, esses vizinhos ricos, ficam a nos olhar como se fossem superiores!" (Aqui ele fingia esquecer quem o havia sustentado.) 

Quando os moradores voltam de seus trabalhos e se reúnem na portaria, já se houvem murmúrios de denúncia, B.O.,processo judicial. Cadeia para esse bandido sem vergonha!

O ex-síndico foi visto, recentemente, procurando antigos colaboradores, inclusive dos comprometidos com a sujeira, para pedir apoio e um servicinho. Para se justificar com o juiz, se for o caso.


A bandeira do nosso Brasil tremula na sacada desde 2004. E resiste.

"Salve lindo pendão da esperança"!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença a lembrança 
da grandeza da Pátria nos traz."
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Notas: 
1. Essa historinha nasceu de uma comparação que ouvi hoje, dia dez de março de 2016, de uma repórter na TV, resumida mais ou menos assim: 

Um morador de um prédio faz festa por muitos anos e gasta todo o dinheiro do condomínio. E aí vem cobrar de mim essa conta? Diz que se todo mundo se recusar a pagar, afundaremos junto.

2. Existem outras maneiras de contar essa história, mas eu prefiro manter a educação e elegância. 


2 comentários:

Anônimo disse...

Infelizmente Clara é a mais pura realidade. Entretanto parece incrível que esta situação tenha existido e chegado tão longe. Como resolver? Lê

Clarice disse...

Lê, questão de ética, de formação, de cultura. Tem muito mais "síndicos e ex-síndicos" envolvidos, de todas as bandeiras. Agora querem criar legislação para se proteger, cúmulo dos cúmulos.

Tem muito mais sujeira para vir à tona.Tem tanta coisa por fazer que quase bate um desespero.

Depois é começar com um bom plano, reerguer a confiança interna e externa, incentivar a produção os serviços e os empregos. Chega de vender carros. É hora de diversificar e parar de dar o peixe. Esse governo não tem plano, perspectiva;só se defende e procura manter-se em pé em lugar de governar.

Teremos pelo menos de 5 a 10 anos para a recuperação. Se tudo correr bem
Abraço.