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10 de fev de 2014

Serve pra você?

Um texto de uma blogueira de quem sou fã confessa(tem o dom essa menina) me fez lembrar do que talvez sirva pra alguém.

Há muitos séculos tive uma conversa muito franca(eu consegui!) com um namorado sobre violência policial. Ele era da turma. De rara inteligência e espírito voador. Falamos sobre exageros. Foi um tempo em que aposentados travaram uma das pontes aqui da Ilha de Santa Catarina e um velhinho levou algumas tristes e vergonhosas bordoadas.

Depois de muita fala e indignação fervorosa(minha) ficou um conselho, que carrego comigo como um salva-vidas, um air bag. Ele pegou minhas mãos e olhos nos olhos, explicou:

Escuta com atenção. 
Se um dia você estiver na rua, ou em qualquer lugar onde tenha algum tumulto, se você ouvir aquele som de passos ritmados e aquela turma de farda escura(batalhão especial)vindo em grupo fechado...FUJA!!!  
Mesmo que você não tenha nada a ver com a coisa, FUJA!!! 
Eles são treinados para eliminar o problema, resolver a situação. Eles não sabem e não querem saber em quem batem, se for necessário para limpar o espaço. Então fuja! FUJA! 
Procure um lugar pra se esconder. 
É o tipo de cara que no dia seguinte salva uma vida, defende mulher que apanha, enfrenta bandido, tira pessoas de ferragens,ajuda uma criança a nascer, mas naquela hora ele só sabe obedecer, foi treinado pra isso. Ele não sabe que você é mulher ou velho.
FUJA!!!

Engoli o choro de indignação e arquivei.

Confesso que tenho uma aversão profunda, de me dar náuseas, por amontoados de gente e violência. Ninguém jamais me verá em passeatas, desfiles, torcida organizada e coisas do gênero. 
Sou árvore de um tronco só. Não crio riscos. 
Sempre há outros modos de contribuir sem se expor, ainda mais agora que as pernas já não são as mais fortes e nem posso seguir o conselho de Cláudio. 
É. Eles também tem nome. Para o bem e para o mal.

7 comentários:

São disse...

Fui conhecer tua blogueira preferida e gostei.

Quanto ao conselho de seu namorado, creio que ele tem toda a razão...mas ainda vou a manifestações, agora muito mais do que antes.

Porque o que se está a passar aqui é simplesmente a destruição do país!

Boa semana

Clarice disse...

São, entre tantas, gosto dela. De você muito antes!
O mancebo, que foi namorado, era uma raridade entre a boiada, acredite.

Aqui o que não está por debaixo dos panos e o que flutua cheira mal também.
Tomara nos livremos dessa corja em breve, tanto aqui como além mar.
Beijo.

São disse...

Grato abraço por gostar de mim e é retribuída, creia!

Sim, para namorares com ele , tinha que ser alguém ao teu nível, sem dúvida.

Amén, que nos livremos destes crápulas tanto aí como aqui.

Bons sonhos

Danilo Ruas disse...

É verdade, Clarice, não podemos mudar muita coisa.Talvez possamos mudar algo, cotidianamente, como num trabalho de formiguinha. E poderia dar como exemplo a luta que travei contra o governo durante três longos anos para receber aquilo que me era de direito. E todos, a partir daí, passaram a receber o benefício.

Há muito não vou a estádios e a nenhum tipo de evento em que haja aglomeração. Muito menos à manifestações, pois desconfiei, desde o início, que havia o dedo podre do atual governo sobre elas. E não foi pela questão
física! (Este país foi
transformado num verdadeiro caos, numa terra sem lei, sem ordem
e sem progresso. Uma grande quantidade de pessoas, nos diversos setores da sociedade,
conspiraram durante décadas para chegar a esse objetivo. Esses, estão muito felizes pelo "Grande Feito!")

Na década de oitenta, costumava sair a pé ou de ônibus, acompanhado ou até mesmo sozinho pelas madrugadas da minha cidade, e nunca me ocorreu nada de mal.
Ainda havia policiamento ostensivo. Era comum ver as viaturas que faziam a ronda aqui em BH, a ROTAM, que era muito temida tanto pelos bandidos quantos pelas pessoas de bem. Às vezes, deparava-me com um
camburão numa dessas madrugadas, e meu coração quase saltava pela boca. rsrs A partir dos anos noventa, passei a mudar meus hábitos.

Também tenho muita admiração pela Lian, embora ela deva pensar o contrário.


Um abraço!

Justine disse...

Clarice, fui visitar a tua amiga blogueira, e deixei no post dela um comentário, que gostaria que lesses.
Aqui as coisas estão muito, muito feias, até com manifestação de militares esta semana. Que outro modo temos nós de mostrar a nossa raiva, o nosso repúdio pela política criminosa deste governo senão ir para a rua? E é isso que estamos a fazer. Por enquanto ainda é permitido...
Um beihjo

Danilo Ruas disse...

Só agora me dei conta: "dedo podre." Foi inevitável a analogia: será que o tal dedo podre tem a ver com o dedo que falta na mão do Lula? Será que ele veio a cair por que estava em extremo estado de putrefação?

Lian Tai disse...

Entendo sua aversão, Clarice. Entendi-a em uma das primeiras manifestações de que participei, contra o aumento das passagens, sem violência alguma, senão por parte dos policiais. Ali entendi profundamente um senso de injustiça e o medo. Envelheci anos.