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21 de jun de 2013

Assim como foi na Itália é aqui

Conta a lenda que Miguel, o Ângelo, aquele que pintava aquelas coisinhas em paredes, catedrais e muros por caminhos italianos, certa vez arrematava a pintura de um sapato numa das diversas paredes que lambuzou com sua genialidade, quando reparou que um cara muito simples olhava aquilo e balançava a cabeça em reprovação.

Com a indignação justa de um gênio perguntou a que se devia tal atitude. 

Continua contando a lenda, que o atrevido senhor fez ver ao gênio, que a fivela colocada no sapato do afresco não correspondia ao que se usava na época retratada. Que era sapateiro e entendia dessas miudezas. 

Imagine a cara do Miguel!

O genial artista olhou, olhou e reolhou e, a contragosto, teve que concordar com o atrevido senhor e refez a pintura. 

O atrevido senhor- de quem não se sabe o nome, mesmo porque perante Miguel, o Ângelo, nem importava o nome- continuou lá firme. Miguel então percebeu que devia um pequeno agradecimento ao atrevido.

Feito o agrado, o atrevido senhor respirou fundo, cheio de si (você não ficaria depois de ouvir o artista agradecendo um reparo?) e começou a dizer:

-Signore, a cor da costura da roupa da signorina também precisa...

Conta a tal lenda que o gênio berrou a plenos pulmões, furibundo, pinceis em punho, arremetendo contra o incauto:

-Alto lá! Que sejas sapateiro até aceito teus reparos, mas a cada mister cabe a correspondente sabedoria. Entendes de sapatos então  fica ao redor deles, que de pintura entendo eu!!!!

A bem da verdade, conhecendo esses meus queridos antecessores, imagino que a frase tenha sido entremeada de uns palavrões bem caprichados. Conheço uma montanha deles, mas deixo à imaginação de vocês.

Bem, eu não estava lá, infelizmente(imagine tocar a fímbria das vestes do Miguel!), mas ontem essa suposta lenda me veio à testa, eis que ouço a voz inequívoca do gênio do futebol- gênio, não boleiro, viu Maradona?- pedindo aos manifestantes que revolucionam há uma semana a definição política de brasileiros, que saíssem das ruas e trocassem o exercício da democracia pelo futebol. A frase foi mais ou menos algo como: Saiam das ruas, vão aos estádios ver futebol.

A única frase, ou melhor, duas frases me vieram à boca e deixo aqui, sem qualquer esperança de que um dia sejam lidas por ele:

CALA A BOCA, PELÉ!!!,  ao melhor estilo Sai de Baixo.

POR QUE NÃO TE CALAS??, com a melhor entonação de rei de España.

E para arrematar:

Que grande chance de usar sua influência para pedir que os baderneiros, infiltrados nas passeatas fiquem em casa, hein, Pelé?
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Aos corajosos que me dão a honra e que moram além da terrinha, por favor, não acreditem só nas fotografias de quebra-quebra de jornais estrangeiros. Os verdadeiros brasileiros estavam nas ruas,às centenas de milhares, em paz, sem partidos, cantando a plenos pulmões sua liberdade, sua verdadeira alma democrática.

8 comentários:

Mauro Castro disse...

Vivemos dias difíceis, minha cara Clarice. Ando cá com meus problemas particulares (táxi batido), a ponto de não me sensibilizar com nada. Só espero que a democracia sobreviva.
Há braços!!

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dalva M. Ferreira disse...

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!

Anônimo disse...

Adorei este texto querida !! A idade não me ajuda para passeatas, mas acompanho com o coração esta juventude linda e patriota falando de sua revolta. Oxalá sejam atendidos. Bj LÊ

Pitanga Doce disse...

Este senhor que já jogou bola e depois foi viver no exterior (que não é besta, nem nada)tem distribuído pérolas como esta ao vento. E digo ao vento porque ninguém presta atenção mesmo.

beijos Clarice e vamos às ruas sim!

neu disse...

Dizem que a gota d'agua foi R$0,20. O oleo ainda não está fervendo. Renan recebeu protesto de um milhão de internautas, debochou de todos e assumiu.

Justine disse...

O que contas desse senhor (?) é vergonhoso, Clarice.
E não, não me deixo enganar pelos meios de comunicação ao serviço dos poderes instituídos: tenho amigos no Rio que me vão relatando a realidade - e tu também me estás a esclarecer. Obrigada.
Força, amiga, nós por cá também andamos em luta!