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10 de fev de 2012

Na melhor das hipóteses- Parte III

Aqui a Parte I

Aqui a  Parte II


Parte III

CAI A FICHA

O que você não sabe, mas vai descobrir assim que o boca-a-boca funcionar é que o gás não será reabastecido no prédio e em lugar algum, porque não há como ligar para o fornecedor.


A companhia telefônica depende de computadores. O mesmo para a água. A energia elétrica foi modernizada e depende de um sistema computadorizado.

O posto de combustível não tem mais aquela velhusca manivela, então nada de combustível.

O supermercado da esquina que levou você a escolher onde morar está fechado. Todas as lojas, restaurantes, farmácias e quiosques ao redor também. O banho de modernidade instalou computador para controle de estoque, caixa, portão de estacionamento, tudo.

O pessoal que anda de metrô vai ficar na plataforma. O mesmo com os ônibus, trens e barcaças. Todos tem um computador que centraliza operações e que precisa de energia elétrica e comunicação.

Seu carro acaba de agonizar todos os circuitos dentro da garagem.

Se você soubesse disso tudo e se o calor não fosse tão insuportável dentro de seu quarto, você viraria para o outro lado e dormiria até sentir fome. 

Você levanta e repete o roteiro de ontem: nada de banho e nada de café. Quando chega no último degrau da escada, quase saindo pela garagem, assiste seu vizinho chutando a porta do carro e a família desolada juntando as tralhas para fazer o caminho de volta pra casa, quatorze andares escada acima. 

A realidade pressiona suas pernas a se dobrarem. Sentado na escada você lembra das piadas sobre tempestade solar, das pessoas que riam de seu colega que trocara apetrechos eletrônicos por uma bicicleta e alertava sobre a necessidade de estocar comida, água, enlatados, carvão, lâmpadas solares, velas e mais uma lista de coisas tão do tempo de sua avó.

Com um nó no estômago você faz pontaria e joga na lixeira o seu falecido celular. Afrouxa o nó da gravata, tira da pasta o tablet e o Mp4 e pensa que sem esse peso será mais fácil escalar novamente as escadas até sua quente e fedorenta cobertura. 

A vizinha do décimo terceiro andar, com um sapato de saltos altíssimos em cada mão, passa por você e puxa a fila da subida. Você vai vê-la em menos de duas horas descendo  de sandália rasteira, com uma sacola de compras cheia de acessórios de moda, que ela tentará trocar por alguma comida nas redondezas do prédio.

Continua...

8 comentários:

Pitanga Doce disse...

Bela, tu não andas bem. Foi o calor que disparou em Floripa ou isto é a sinopse de mais um filme do Spielberg?

Clarice disse...

Pitanga, hahaha! Se você leu as outras partes, não perca a próxima e comece a fazer estoque de comida e água.
Beijos calorosos e sem neve. ;)

Justine disse...

Por coincidência, estou a ler "A Estrada" de Cormac McCarthy...
Arrepiante!

Anônimo disse...

Posso perfeitamente viver sem as modernidades; procurar uma cachoeira de águas limpas para tomar banho e beber; usar lenha e achar alimentos na natureza,viver com a luz do dia,improvisar, substituir,voltar as origens. Aprendi com meu avô a sobreviver com o mínimo necessário. Mas sei que a maioria sdas pessoas não suportariam. Lê

Clarice disse...

Justine, gostei da sugestão.
O jeito é aprender a ter menos e criar menos dependência, concorda?
Abraços.

Lê, eu não sou fã de camping, mas tenho uma facilidade enorme de adaptação e se for preciso moro até em casa de barro.
Faz anos que venho reduzindo cacarecos e esvaziando a casa. Isso faz a vida ficar mais leve.
O próximo capítulo vem com sugestões.

Nos EUA já estão construindo abrigos e guardando provisões para durarem um ano. Bem quietinhos.
Beijos.

Anônimo disse...

As casas de barro, com um improvisado fogão a lemha, são as mais gostosas e acolhedoras. Tudo depende da simples lucidez do espírito.
Beijinhos LÊ

Anônimo disse...

A modernidade chego a tal ponto, que no meu bairro em Curitiba, o ladrão assaltou o supermercado e levou as maquinas de cartões, porque a funcionaria informou que o dinheiro entrava atraves das maquinas de cartões de debito ou credito.

Clarice disse...

Lê, a simplicidade pode salvar muita gente. Bom é ficar de olho.
Bjs.

Anônimo, não sei se muita gente vai conseguir fazer piada depois de dezembro, mas tomara que possamos rir de quem não acreditou nos anúncios.