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25 de jan de 2012

Na melhor das hipóteses- Parte I

Leia aos poucos. Não quero ser responsável por seu infarto precoce.


Você vai dormir depois de aquecer o lanche no microondas, toma banho quase morno, vê um filme, joga um pouquinho, dá uma espiadinha em alguns blogs e na sua caixa de mensagens, usa o Skype pra uma conversa ligeira e barata, abre a geladeira, escolhe uma cerveja gelada, ou um vinho branco especial. Depois regula a temperatura do quarto, confere o rádio-relógio, coloca o telefone celular na mesinha de cabeceira, puxa o lençol sobre a orelha. Mal tem tempo de lembrar do dia e dos compromissos do dia seguinte e dorme o sono dos justos.

O relógio não desperta, mas você acorda suando em bicas. Ar-condicionado parado. Sem energia elétrica ele virou decoração. Banho gelado e com um fiozinho d'água. Pensa em ligar para o porteiro, mas resolve falar na saída. Quando coloca o celular no bolso repara que está sem sinal. Vai até a cozinha e se dá conta de que os equipamentos elétricos não funcionam. O fogão a gás está aí, mas você não tem acendedor manual, nem isqueiro, nem fósforos. Café será no trabalho. Corre para o elevador. É obrigado a descer os 14 andares a pé. 

Para sair do prédio precisa abrir a porta com chave. Droga! Esqueceu desse detalhe e precisa subir os 14 andares. Na metade do caminho reduz a velocidade, porque está suando demais e não há tempo para outro banho. Desce tudo de novo. Pega o carro na garagem e repara que alguém já deixou o portão da garagem levantado. O GPS, o computador do carro e os vidros elétricos não funcionam. Na rua decide abastecer o tanque, mas em cada posto uma fila quilométrica. Afinal não há energia elétrica, você lembra.

Vai passando pelas ruas e percebe que tudo está estranho. Sinaleiras não funcionam, engarrafamento além do costumeiro, pessoas com cara de ontem e sem café no estômago brigam mais do que sempre. Muitos carros com pane.

Quando chega no escritório descobre que a cidade inteira está sem energia elétrica, computadores e telefones não funcionam e nas torneiras só pingos d'água. Os sistemas de água, luz, telefone, gás, gasolina foram modernizados para funcionar por computador na cidade toda. No estado inteiro. No país inteiro. No mundo inteiro.

O dia vira um caos. Quem consegue chegar, bufando, chega atrasado, reclamando, sem vontade de trabalhar. Mesmo que quisessem não poderiam.  Não há cafezinho, não há como pedir almoço, o office-boy não chegou, o ambiente está a mais de 36'C e o celular ainda está sem sinal.

Alguém resolve usar o que tem na geladeira. O computador da porta dela tem cheiro de queimado. Só tem o suficiente para os quatro, com muita economia. Melhor comer tudo antes que estrague por falta de energia.

No meio da tarde resolvem ir embora. Atrás da porta fica o cheiro do vaso sanitário sem água para descarga.

Continua...

4 comentários:

Justine disse...

Parece o dia do apocalipse! Mas pode ser uma realidade dos nossos dias, tal a nossa dependência...

Anônimo disse...

Mas.... que o dia de hoje seja o oposto; flôres, aromas, brisa fresca,e sebretudo muito, muito amor.

FELIZ ANIVERSÁRIO QUERIDA

Pitanga Doce disse...

Por acaso tem alguém fazendo aniversário aqui? Então, minha bela? Achou que ia fugir do seu inferno astral? Logo passa. É só uma vez por ano, que mais ninguém aguenta. hehe


Feliz Dia de Sempre, Clarice. Que sua vida se ajeite do jeitinho que você quer.

Beijos da Mila

Clarice disse...

Justine, será difícil recuperar a tempo tudo o que nos cerca.
Abração.

Lê, obrigada pelo carinho. Você é uma flor rara.
Beijos

Pitanga, espero que a fase elétrica tenha terminado ontem. Afff!
Gostei demais de seu desejo.
Beijos.