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30 de jan de 2012

Na Melhor das Hipóteses- Parte II

Leia aqui a Parte I

Parte II

Depois de enfrentar o mesmo tormento da manhã, finalmente você coloca o carro na garagem. Na porta do apartamento- o próximo será, no máximo, no terceiro andar, você jura!-, de língua de fora, louco por um banho, lembra que não tem nenhuma reserva de água para o chuveiro, nem para o vaso sanitário ou para a cozinha. A lava-louças está cheia, a de lavar roupas idem.

Sem televisão, sem MP4 e sem computador você anda pelo apartamento. Não sabe o que fazer para passar o tempo. Escolhe sentar perto da janela por onde entra uma brisa refrescante e o nervoso som de buzinas. Lê até que escurece.

Olha o caos lá embaixo. Escuta vozes alteradas vindas dos apartamentos vizinhos, crianças que choram. Algumas dormirão sem banho, outras sem comer direito. Como pregar o olho com esse calor?

Depois de meia dúzia de lenços úmidos pelo corpo e desodorante em dose dupla, você coloca um pijaminha leve. Encontra uma vela de aniversário no fundo de uma caixa. Mas não tem fósforos. Você sempre achou ter fósforos um atraso.

Surrupia a lâmpada de emergência do corredor, ignorando os protestos da vizinha suada, que se abana perto da janela.

Perspectivas para amanhã: serviço atrasado, clientes de outras cidades e estados reclamando, cobrando descontos. Isso vai exigir que todos virem a noite trabalhando, você pensa.

Você se contenta com o que tem na geladeira, que deve conservar a temperatura por mais 12 horas. Come tudo frio. Deixa todas as janelas abertas para suportar o calor. Em pleno dezembro no hemisfério sul, logo hoje precisava falhar tudo junto?

Desiste de perambular pelo apartamento e vai para o quarto.Confere esperançoso o sinal do celular e a lâmpada de cabeceira. Escova os dentes e enxágua a boca com um resto de água tônica. Absurdo, você fala  baixinho. Tropeça no tapete e se deixa ficar na cama do jeito que cai.

Amanhã voltará tudo ao normal. É seu último pensamento otimista antes de dormir. Afinal, subir e descer mais de trezentos degraus tem seus benefícios.

Continua...

4 comentários:

Lian Tai disse...

Putz! Somos tão dependentes de energia elétrica e tecnologias, que, realmente, se ficarmos sem será um caos. Talvez seja hora de retornar ao simples...

Clarice disse...

Lian, num apagão aqui em Floripa(lembra?), acabaram velas, pilhas, tudo. O único óleo disponivel em casa era de oliva. Puxei da memória uma lamparina a óleo. Uma catinga insuportável. Pelo menos o gás existia e eu tinha fósforos. Foi uma experiência estressante demais.

Anônimo disse...

Todo este quado caótico é uma possibilidade real.
Buscando a simplicidade e tentando não criar dependências. Assim tem sido minha vida.
Bj LÊ

Clarice disse...

Lê, menos dependência é sempre uma boa filosofia.
Beijão.