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15 de dez de 2011

Memória atávica?

Uma cena recente me levou a uma caverna onde homens e mulheres com medo de raios e trovões pediam, apavorados, que o que quer que fosse que estivesse mandando aquelas coisas apavorantes parasse com aquilo. Era preciso proteger seus pares e descendentes.

O quadro seguinte era de vestais e templos com ofertas para agradecer privilégios e pedir mais favores, perdão e clemência.

Os quadros seguintes são fáceis de desenhar? Os pedidos se transformaram em negociação(se você me der eu te agradeço: eu te dou, eu te prometo e você me favorece com propaganda).

Aí vejo minha mãe, aterrorizada com uma tempestade, queimando galhos de plantas bentas, para que aquele horror passasse. Em um fogão a lenha, com chapa de ferro. Se as folhas queimadas não agradassem a quem estava comandando os raios, talvez um deles, atraídos pelo ferro tivesse mudado a história e a fé de quem estava ao redor dele.

Gestos e atitudes que se repetem sem o menor bom senso, sem questionamentos, sem usar as faculdades tão brilhantes do cérebro.

Por que apenas não admirar o universo, sentir a grandeza do amor entre pessoas e compartilhá-lo? Por que é preciso negociar, convencer, se esse pretenso ser é onisciente, bondoso, generoso, onipotente? Será que nem mesmo nessa teoria do divino existe justiça e igualdade? Só merece quem se ajoelhar, quem se humilhar, quem me louvar? Ini, duni, té...você ganha, ele não.

A próxima cena é de centenas de ônibus com pessoas que precisam estar em determinado lugar para suplicar, louvar, agradecer, contradizendo a onisciência desse ser que tudo vê e ouve, mas que ainda precisa de marketing e construções. Lugares onde há vendilhões, que seriam açoitados, se qualquer um dos tantos messias de AC e de DC por lá aparecesse.

Tão frágeis os seres humanos, tão necessitados de recompensas a perder de vista!

A propósito: turismo religioso mata!

7 comentários:

São disse...

Ma belle, eu critico duramente quem incute que Deus ( ou outra qualquer designação) exige preitos, súplicas e humilhação.

Mas compreeendo que as pessoas na aflição tentem tudo.

E eu sou crente numa Origem como sabe.

Beijinho

Dalva Maria Ferreira disse...

Tema polêmico. Eu não acredito em nada, nem ser superior, nem capeta, nem cramunhão, nem anjo, nem duende, nem preto velho, nem preto novo... Só acredito mesmo é na imensa capacidade do ser humano de ser sábio e de ser imbecil.

Clarice disse...

São, seja qual seja o nome, é um mantenedor de mentes chaveadas.
Bjs.

Dalva, e esta agora dos registros milenares de astronautas e carruagens de fogo que somem no ceu? Eram os anjos astronautas?
Já há quem diga que fomos "plantados " no planetinha por ETs. Seria mais fácil de acitar do que o criacionismo.
Mas vamos sumir de quaçquer jeito, por explosão solar ou algum idiota que aperte o botão errado.
Cabummmm!!!!

Anônimo disse...

Infelizmente querida, as religiôes, todas elas, não estão preocupadas com Deus e muito menos com os fiéis. Estão preocupadas com a própria sobrevivência como instituição. Para obter este resultado, lançam mão de todos os recursos, inclusive da exploração da fragilidade, do medo e da eterna carência humana.
Beijinhos Lê

Clarice disse...

Lê, esse Deus é a maior e mais lucrativa invenção humana. Olhemos para o universo como ele é sem inventar herois nem divindades e o mundo será melhor.Bjs.

Lian Tai disse...

É o que penso. Mesmo que esse Deus existisse, ele não seria tão prepotente a ponto de exigir que se acreditasse nele. Importante é estar de bem com "as coisas de deus", é comungar com o mundo.

Clarice disse...

Lian, quando até o livre arbitrio é colocado em dúvida, resta usar pelo menos um pouco de lógica. Sou extremamente curiosa em saber o que acontecerá com essas divindades com nomes geograficamente distintos, quando o sol torrra o planeta.
Obrigada por vir até aqui. Sou fã de carteirinha de seu blog.
Abraço.