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27 de out de 2011

Bom dia! Boa tarde! Boa noite!

Quando eu era criança e até quase a adolescência, cada vez que botava a cara
fora de casa olhava para todos os lados e não era por curiosidade, não! Era mesmo para dar conta de cumprimentar a todos os que via. Eu achava que se deixasse passar um daqueles tantos colonos que meu pai conhecia, eu receberia uma bela bronca. Era preciso esquecer a timidez e praticar sem descanso. Que trabalheira era aquilo!

Via minha mãe fazer um aceno, ou falar um bom dia em voz alta, e nem desconfiava que essa atitude tinha alguma coisa a ver com as crianças de quem ela era ou fora professora. Imagine não cumprimentar a professora de seus filhos, a vizinha, a comadre! 

Se ela fazia, melhor copiar, antes da bronca. Era bom dia e boa tarde que só acabava com o fim da calçada ou na porta de casa. Sorte minha a cidade ser pequena e que nem sempre eu precisava ir além de umas três ou quatro quadras para o que quer que fosse.

Aos domingos a coisa ficava mais complicada. Dia de ir à missa com a família. Sim, aos domingos era coisa séria! Eu não dava conta de me fazer notar por todos aqueles sisudos de todas as alturas e sotaques, que passavam por meu pai e minha mãe e trocavam algumas palavras ou um “Hop!”,acompanhado de uma mão levantada, o que na língua deles queria dizer “Oi!".  Buongiorno (saía bom giorno)era tão comum quanto “bom dia”. Era mais difícil do que parece, porque nem sempre ouviam meus sinceros cumprimentos. Mas eu me esforçava. E como! Só faltava contar nos dedos a quantos eu havia conseguido me fazer notar!

Depois de adulta comecei a imaginar o que passava pela cabeça daquelas pessoas que viam a filha do Seu Gaitano* e da professora Wilma saudando todo mundo. “Tem algum problema aquela guria dos De Marco? Fica baixando a cabeça para todo mundo, dando bom dia pra todos que passam. Poveretta!!!!”

Aqui na praia eu arrisquei cumprimentar um senhor bem velhinho, que leva a
rede de pesca pra passear todo dia e até puxei uma conversinha sobre o mar, a ressaca e coisa e tal. Depois disso, quando eu passo ele me olha desconfiado. Está certo ele. Até eu reagiria assim. Se um desconhecido me cumprimentar eu "sarto de banda". Ou é assalto ou assédio!


* Não adiantou nada meu nono Ricardo batizá-lo como Caetano. Italiano que se preze fala Gaitano.

5 comentários:

Anelize disse...

Que gracinha de história. Lindas recordações deves guardar da sua pequena cidadezinha de infância...
Eu tenho mania de cumprimentar todo mundo até hoje. Devem me achar doida, com certeza. Posso contar nos dedos quantos retornos recebo de todos os ois q dou...rsrsrs
Já tentei mudar, mas é mais forte do que eu... hehehe
Saudade de vcs!! Aff
Batam aqui qdo descer, hj tentamos encontrá-los, mas já tinham subido... A Malu ouve o Sun e fala: A Ice... rsrsrs
Beijos

Anônimo disse...

Delícias de recordações ! Guarde-as com carinho pois são valiosas. O mundo moderno não tem mais lugar para estas coisas, mas aqui em Resende ainda se ouve as vezes um BOM DIA sonoro ao se chegar no portão ou cruzar com alguem numa rua tranquila da cidade.
Gosto de ouvir e retribuo sorrindo
Beijinhos LÊ

PARA VC BOM DIA

São disse...

Uma gracinha este seu relato, rrss

Aqui também era obrigatório cumprimentar, agora é como se ninguém visse ninguém...

Bacio,bella

Gloria disse...

Infelizmente é isso, mas acho que devias insistir, educação e cordialidade nunca é demais. Como sempre, ótimo texto. Bjs

Clarice disse...

Cadê meus comentários Google?

Meninas, fiz réplica aos comentários de vocês 3 vezes. Sumiu!

Em resumo: são boas lembranças e sempre se carrega um pouco delas, onde quer que se vá.
Infelizmente, algumas mudanças e riscos afastam hábitos tão bons.
beijos