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20 de ago de 2011

Boi fora da boiada

Pegue uma caneta que risque fino, bem fininho e apenas apoie a ponta no papel. Olha o tamanho da marquinha! Um pontinho quase invisível. Agora escreva ao lado do pontinho: Planeta Terra.

Como, em nome de que, com base em que, os seres que moram nesse planeta supõem que apenas para esse pontinho, não mais que esse pontinho, dirige-se todo o cuidado, concentra-se a razão da existência do Universo e se justifica a palavra eternidade?

Não consigo pensar em algo mais pretensioso do que um ser tão imperfeito, tão necessitado de cuidados e tão bem servido de limites, imaginar e acreditar que seja alvo do interesse do restante do Universo.

Aquele pontinho fica no Sistema Solar. Um, apenas um dos milhares de sistemas dentro da Via Láctea. E como a Via Láctea existem bilhões de galáxias.

Daqui a alguns milhões de anos(se antes disso não nos apanhar um asteroide) o planeta Terra vai desaparecer. O sol vai explodir. O planeta Terra vai torrar. O pontinho deixará de existir.

Será que fica alguma dúvida sobre o quanto somos criativos ao inventar coisas como um juiz, que analisa e julga cada uma das ações de todos os que viveram e viverão nesse pontinho? Que importância temos dentro desse gigantesco, múltiplo e incomensurável universo, para que apenas nós passemos pela hipótese de nunca desaparecermos como unidades?

Se isto não dá o que pensar, vamos ao mais óbvio. Quem julga pensa. Quem pensa tem mente. Quem tem mente tem cérebro. Cérebro é parte de um ser vivo, físico. Então aquele tal juiz tem corpo?

É mais confortável seguir a corrente do que questionar, não é? É mais reconfortante ter algo mais do que esse trajeto de 60, 70, 80, 100 anos?

E pensar que isso tudo começou com a natureza se mostranto em raios, trovões e desastres inexplicáveis naquele ambiente. Prossegue hoje com o povo de países abalados economicamente, a gastar o dinheiro que não possuem para dar aos miseráveis, mas arranjam para fazer salamaleques e perfumar as cuecas de um homem tão comum, tão irrisório, tão passageiro quanto qualquer um de nós.

Prossegue com mentes que não questionam, que se colocam-sem questionar esse ato de humilhação, não de humildade- de joelhos em frente a imagens de gesso, madeira e pedra; prossegue com pessoas que vieram de uma poça de aminoácidos ou de outro planeta e que virarão poeira de estrela daqui a alguns milhões de anos, sem deixar nada, sem levar nada. Nem mesmo aquilo que pensaram ter obtido depois de suplicar muito, de pedir o que, segundo a propaganda, mereceriam pelo julgamento desse ser, que na sua injustiça seleciona quem ganha e quem perde.

Não tenha medo de questionar. Se é que de fato existimos, que nosso cérebro pelo menos pratique sua função.

2 comentários:

Anônimo disse...

Que mistério minha flôr!! Como explicar este enigma ?
Para confundi-la ainda mais eu diria que este pontinho minúsculo que vc falou é composto por uma quantidade infinita de outros pontinhos ainda mais, muito mais minúsculos chamados átomos. Tudo é feito deles aglutinados. É a matéria composta pelos elementos quimicos.
Agora imagine : Estes elementos ou a matéria é ETERNA. Eterna não seria bem o termo; a maneira certa de dizer é : A EXISTÊNCIA FAZ PARTE DA ESSÊNCIA DE TUDA A CRIAÇÃO.
Cada átomo de carbono que neste momento compõe seus tecidos protéicos ja estava no sistema a bilhões de anos e estará daqui a bilhões de anos seja qual for o estágio do sistema.
Quantas vezes podemos reciclar uma latinha de alumínio, um objeto de ferro, uma jóia de ouro? A resposta é: Infinitas vezes pois nunca deixarão de ser ferro , alumínio etc.. Os elementos são eternos.
E agora ? A matéria é energia condensada; De onde vem esta energia? O amor é energia ? Se for quero ficar com ele para sempre.
É melhor parar por aqui pois este tema pode render infinitos comentários e seu blog vai estourar. Beijinhos LÊ

Clarice disse...

Lê, o ponto central desse post não é a composição e transformação da matéria e, sim, a piada humana de eleger deuses para compensar suas fraquezas, justificar tudo e criar culpas que, no mínimo significam que somos mesmo imperfeitos.
Sei o suficiente de física quântica para entender a expansão do universo e suas consequências. Então onde ficarão os deuses de todas as seitas e religiões, quando os planetas, galáxias e sóis explodirem e se espalharem e aglutinarem novamente ou forem engolidos por buracos negros? A não ser que se confirme a existência do universo paralelo em que tudo ocorre ao contrário...PUFT!
Abraço.