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28 de fev de 2011

Da série "Aventuras num Fiat 147"

Um causo irretocável de Mauro me faz lembrar de uma aventura que, no final das contas provou que o preconceito que se teme nos outros pode estar é dentro de nós, escondidinho.
Lá fomos meu filho e eu só com a roupa do corpo cobrindo o traje de banho, documentos do Fiat 147, alguns trocados e um cartão de crédito que me dava mais medo que confiança, a ver o que havia na direção sul da bússola. Fazíamos isso de vez em quando, provocando os deuses.
Lá pelo meio da tarde vimos o dia virar noite. Aventureiros, tentamos fugir da desgraça e nos pusemos na estrada. Sem chance. Menos de cinco quilômetros e desceu a chuva mais forte e mais branca que já vi na vida. Nada se via e ninguém nos via. Nada para nos abrigar. 
Depois de meia hora parados, morrendo de medo que alguém nos atingisse no acostamento, um pensamento maluco: E se a gente só voltasse amanhã? Hã?
Encontramos um hotel. Não. Um HOTEL. Aquele chique, das propagandas, sabe qual? O estacionamento nos avisava, mas com um pouco de pose o 147 se escondeu entre aqueles carros de cinema.
Descabelados, roxos de frio, molhados, os dois de short e camiseta, entramos na luxuosa recepção. Imagine a cara-de-pau!  Contei ao simpático do balcão nossa triste história e em cinco minutos preenchia uma ficha, muito obrigado, aproveitem o banho quente.
Circulamos por aquela maravilha, jogamos sinuca, dormimos e comemos muito bem, obrigada, janela com vista para a praia fantástica. Café na cama, areia e piscina na manhã seguinte(de olho no relógio, que a diária termina às 11:00 horas).
Fomos tratados como excêntricos, no mínimo. Bom, a simpatia e beleza do filhote e as pernas de fora (há trinta anos eu podia)talvez tenham ajudado um pouquinho.
Saímos de lá entre sorrisos profissionais, mas sem nenhum traço do preconceito que eu temia. Os Battistella treinaram muito bem seus empregados, sim, senhor!  
Hoje em dia o limite do cartão melhorou e nós poderíamos voltar lá sem sofrer muito, mas não teria a menor graça. Não teria o gosto do risco, da aventura, mas, principalmente, de descobrir que o preconceito contra nós estava dentro de mim.
Observação:Não há fotos dessa aventura nababesca porque o filho, com pouco mais de 5 anos e que mais tarde se revelaria um excelente fotógrafo, conferiu se as fotos estavam mesmo no filme. Pra enxergar melhor abriu a máquina no sol. A única foto que se salvou foi uma porcaria batida por mim e que se perdeu entre tantas outras.

8 comentários:

São disse...

Essas aventuras são sempre as melhores, rrss e . francamente, não acho que tenha muita piada repeti-las, não...deixam sempre a boca com sabor a papéis de música

Bom Carnaval, linda

Clarice disse...

São, fiquei menos aventureira, mas lembranças sempre nos divertem.Carnaval, nem pensar!
Abraços.

Pitanga Doce disse...

Clarice, o que seria de nós, mães, sem essas histórias pra contar? É tudo tão perfeito e delicioso que tentar repeti-las seria um crime.

Agora: eu queria te ver entrando na recepção de um 5 estrelas de saída de praia, com as pernas de fora e cabelos cheios de sal e areia. Mais fashion e sensual só na novela das oito (que afinal é às nove) hehe

Beijos e chove!

Clarice disse...

Pitanga, e nem era de saída de praia. Era short fuleiro mesmo!Encharcada e cheia de pose.Com saída de praia foi outro causo, que eu conto um dia.
Acabou a seca, vi na TV. Agora e deixar a canoa de prontidão.
Parabéns pelo aniversário da cidade. Linda, apesar do Cristo Redentor.
Abraço.

ManDrag disse...

kkkkkk
E é mesmo, o preconceito começa dentro de nós.
Gostei das duas histórias; a tua e a do taxista.
Todos temos aventuras loucas trazidas nas memórias de juventude.

Abraços

Pitanga Doce disse...

Ô Clarice, o Cristo Redentor ganhou uma nova iluminação, ontem. Não fales mal dele, que ele fala mal de ti. :-))

Gloria disse...

Boa história e lembrar é sempre bom, abraços vizinha.

Clarice disse...

Pitanga, sem jeito. Não gosto daquela estátua feia. Pode botar até laser nela.
Beijos.

Glória, de vez em quando desperta alguma lembrança que me faz pensar em quanto eu era afoita.
Beijos.