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18 de jan de 2011

Se você não acredita

Se você não acredita em inferno astral, entre em minhas sandálias:

Primeiro uma tromba d'água entupiu um ralo que fica debaixo de um deque. Lá se foi a Dona Mariquinha a cutucar com vara de metal pra que a água não invadisse a cozinha. Faça ideia da cena: chuva de verdade.  A pessoa de joelhos com uma lanterna para espiar entre as tábuas e uma vara a raspar o invisível, tentando sentir a diferença no piso.

Dias depois a escavadeira passa do terreno em frente para o terreno ao lado. Das 8 da matina até 19 horas. O computador fica com vista para o barulho, óbvio! Já estamos nisso há um mês.

Aí a vizinha resolve pendurar uns metros de tela de mosquiteiro, no cabo que leva sinal de satélite para meu apartamento. Na calada da noite. Pensando que sou cega, ou o quê? Ofereci parafusos para pendurar dentro de sua propriedade, rapariga se ofendeu e colocou um selo na minha testa: A senhora não é muito simpática! (Ai, que quase enfartei de preocupação!)

Terceiramente, comprei uma briga com um elemento da família. Do tipo que $ó $oma o que $ai de $ua "ca$inha" e e$quece o que já $aiu da minha.

Em seguida minha mãe resolve se pendurar numa cadeira, a troco de mexer numa basculante do banheiro e desaba. Por enquanto hematomas. Mas a notícia chegou de tal modo alarmista, que já ia organizando as poucas emoções que me restam.

Na televisão aquele desastre que atinge inclusive amigos e eu sem contato nenhum. Nada.

O que vem e vai com a bicharada conta? Repeteco, repeteco e repeteco! 

No sábado, finalmente voltei a ter telefone, depois de uma semana de silêncio. Nem fixo, nem celular, nem nada. Chove em Buenos Aires -não vou nem falar dos gringos que gritam e batem portas até a madrugada, me nego- aqui apaga a luz e ficamos sem comunicação.

Computador ficaria de fora? Nada! Deu pra desligar sozinho. Lá vai a Dona Mariquinha até o centro pra levar e no dia seguinte pra buscar. E esse trânsito um coisa, pra não dizer uma m... A chuva me prende no acostamento. Os turistas ficam perdidinhos, perdidinhos.

Finalmente acontece algo de bom: toca o interfone e duas blogueiras se conhecem. Assim, rapidinho, com brasa nos calcanhares. No próximo post coloco a foto da obra de arte que veio junto. Oh, Glória! Você salvou minha semana.

Acordo na segunda-feira com água no cérebro. Sabe como é? Vira a cabeça no travesseiro e o mundo gira. Anda de elevador e parece estar andando de lado. Baixa a cabeça e vai até Marte. Quem não sabe o que é labirintite pode rir, mas a coisa tá ficando feia por aqui. Cinco passos e uma paradinha para alinhar os olhos. O que escrevo tenho que ler várias vezes para não inventar palavras.

Erro a pontaria e fico sem som no computador. Mas será o pé do cabrito?

Assim, com o perdão pela lista,  justifico minha ausência e deixo uma viagem para vocês. Usem as figurinhas da base para encontrar detalhes. Viagem muito, que eu não sei quando escreverei de novo. Visitas conforme os zoinhos permitirem.

9 comentários:

Gloria disse...

Ahhh, vizinha, é assim mesmo, desgraça pouca, é bobagem. O bom é que passa.Ó, como tu exagera né? no norte da ilha é a seguinte proporção: pra cada 5 turistas 6 são argentinos e na tua banda, pelo que vi, pra cada 5, 3 são. Salvo se estavam escondidos da chuva.Quanto a labirintite, não vou rir não,pois minha mãe tinha e meu pai tem, então é beeeeem provável que eu venha a ter. Mas sei que tomando o remédinho próprio, vc consegue controlar as crises. Viu, vc está novamente nos meus seguidores. Te cuida, bjs.

Clarice disse...

Glória, eles adoram este prédio. Invadem minha garagem, fazem festa até 3 da manhã, mas alguns já estão de partida. No norte tem mais, com erteza. Já são donos de Canasvieiras faz tempo.
A labirintite começa a ficar sob controle depois de algumas horas de remédio, mas me tira do sério. Aí vai uma semana até acertar tudo.
No mais é esperar a próxima chuva, colher tomatinhos, beber muita água.
Abração.

odilongo disse...

ÔOOOOOO amiga!!!!!! Êta desgraceira hein? Bateu a urucubaca mesmo aí. Pra esquecer tudo isso só duas vizinhas dessas, que tal? Bjão querida e fica bem!!!!!!!

Anônimo disse...

Dizem os céticos que tais fatos ocorrem trinta dias antes até trinta dias após a data natalicia. Assim a sua contabilidade ainda vai até o final de fevereiro. rs rs rs rs.
neu

Pitanga Doce disse...

Vou sair de mansinho e esperar, seja lá o que for, passar. Mesmo porque, por aqui a desolação é total. De onde veio tanta água????

Beijos, Clarice, e Pai de Santo deve estar ganhando uma nota nessa época.

Clarice disse...

Neu, hoje foi a antena da Tv. Larga di eu!
Abraço.

Pitanga, nenhuma desgraça pior do que a provocada pelo descaso e fanfarronice de discursos que adiam providências.
Sinto pelos teus vizinhos e tomara que façam o que estão falando.
Aqui rem chovido todos os dias, coisa de verão, mas de vez em quando desaba uma nuvem especial. Brasil inteiro sofrendo por ser tropicalmente descuidado.
Abraço.

Clarice disse...

Odi, falhou!
E eu contando vantagem porque a vizinha era silenciosa, discreta...Tão discreta que aprontou, mas deixa pra lá. Agora é torcer pra chuva parar com essa desgraceira toda, que eu sei já chegou nos pampas.
Abraço.

ManDrag disse...

Lá, do outro lado do Atlântico, costumamos dizer que não há uma sem duas nem duas sem três. Um desgraça nunca vem só.

A viagem a Sevilha é óptima; adorei aquele telhado com as hortas no alto. Uma das cidades de Espanha que lamento nunca ter visitado, durante a minha estadia europeia.

Espero que os azares tenham acalmado. Eu não me vou rir da labirintite, pois a minha espondilose, os tais bicos-de-papagaio, dão-me sintomas semelhantes., associados a náuseas e dores persistentes. Enfim, algum ganho se tem de ter quando avançamos nos terrenos privilegiados da idade maior.

Abraços

Clarice disse...

Mandrag, vamos lidando com as coisas conforme aparecem. De algumas não há como fugir, com outras damos um jeito. Eu nunca desisto, mesmo quando reclamo. Este ano vieram em pencas!
Abraço.