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4 de dez de 2010

Carta calibrada

Não era isso que eu havia programado para hoje, mas quero dividir com vocês as gargalhadas que me arrancou a tradução de uma palavra no livro Paris é uma Festa*(e-book), do genial Hemingway.

Lá pelas tantas ele consegue um convite para jantar e a generosa anfitriã, segundo o texto, enviará uma carta para combinar os detalhes. Que costume elegante, não?  Li e fui adiante. Minha mente, todavia, ficou zunizando sobre aquela palavra que seguia  a palavra carta.

Que raio será isso? Será que  existia mesmo esse tipo de carta em Paris? Que costume será esse? Tentei visualisar. Envelopes especiais?  Cartões de visita com algum símbolo? Não. Não pode ser. Alguma expressão lusitana, quem sabe?

Deixa isso pra lá e segue com a leitura, sua tonta!

Que nada. Os olhos voltavam para aquelas duas palavras "carta  xxxxx". Será que estou bloqueada?

Quando essas coisas acontecem eu preciso resolver, pois casos assim costumam virar motivo para disputas entre meus neurônios e em casos mais graves até me causam insônia.

Não é possível, a tradutora não pode ter atirado tão longe do alvo. Encasquetei.

De repente: Fiat Lux!

Como é que essa figura traduz carta aérea por...carta pneumática?

* Se interessar receber o arquivo, deixe recadinho com endereço.

O envelope bordado veio daqui

5 comentários:

Pitanga Doce disse...

Isto tem que se diga, minha cara Clarice! Uma carta "pneumática" deve chegar rápido que as comuns, quem sabe?

Anônimo disse...

Nem pensa que eu sumi querida! Isto seria um sacrilégio que não combina comigo. Vai ser difícil vc se livrar de mim viu ??
Quanto à carta, sei não, mas parece que tem a ver com pombo correio né? Rs, rs.
Beijinhos linda! Lê. ´Ótimo domingo.

ManDrag disse...

hahahaha
carta pneumática
hahahaha

isso ao abrir deve dar um estouro...!

Há traduções em livros que até assustam. O mais escandaloso é que alguns são por demais evidentes, como este... será que o tradutor não... enfim... fiquemos pela gargalhada, mesmo.

Abraços

Clarice disse...

Pitanga, você sabe como existem diferenças entre essas duas línguas, mas de vez em quando extrapolam.
Pra ler deve furar com alfinete, quem sabe?
Boa semana e abraços.

Lê, deve ser, porque ou vai voando ou vai rolando.
Bejos, querida.

Mandrag, eu leio o que um clube de livros composto quase só de portugueses coloca como e-books. Acho ótimo e tem títulos muito bons. Mas exige de mim uma ginástica mental, pois de vez em quando eu dou de cara com traduções meio atravessadas como essa e aí perco o fio da história.
Uma que me fez rir muito também foi "fato macaco" para traje que aqui chamamos de macacão. Fato seria um terno(calça e paletó), mas a junção dessas duas palavras me tirou do sério. As duas expressões são estranhas mas fato macaco me pareceu muito engraçada.
Abraços e boa semana.

ManDrag disse...

Sim amiga,

Também eu toda a minha vida achei bizarra essa designação de fato-macaco. Fato aplica-se tanto ao vosso terno como a qualquer indumentária que forme conjunto uniformizado.

Neste caso da carta pneumática é pura burrice do tradutor, mesmo. Nenhuma expressão do português falado em toda a lusofonia remete para tal disparate. Assim qualquer um pode ser tradutor; a criatura deve meter o texto original num desses tradutores automáticos informatizados e dá-se por feliz com o resultado.
O mais grave é o resultado que isso possa ter em mentes menos trabalhadas, como por exemplo quando esses casos se encontram em livros dirigidos para um público infanto-juvenil.

Pneumático deve ser o cérebro de quem traduziu o livro.

Abraços, bem amistosos (nada de pneumáticos)

PS: eu fui procurar por uma Ilha das Flores no Brasil (que deve haver, pois muita da toponímia brasileira é inspirada em localidades de Portugal) mas desisti perante a imensidade da lista. rsrsrs Mas pelo menos aí em Stª Catarina não tem. A essa conclusão chegámos os dois, né.