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20 de out de 2010

R.I.P.

Foi de sábado para domingo. Jamais pensei que esse desenlace ocorreria na noite da troca para o horário de verão(que verão? estamos na primavera a 15 graus!). Quando a noite já estava no domingo há vinte minutos, cada um procurou o ninho que lhe cabia.

Mal havia acomodado a cabeça no travesseiro, em meio àquele silêncio que só é possivel no paraíso, ouviu-se um biiip.

BIIIP?

Mãe acostumada a acordar ao primeiro suspiro do filho, jamais perde o hábito. Assim, arregalei os olhos no escuro, acendi a lâmpada do abajur e deparei com o cachorrinho já a andar pela casa, desconfiado daquele BIIIP inusitado. (Por que acender a luz? Para pensar melhor?)

O que há neste quarto que pudesse fazer BIIIP? Rádio-relógio?  Câmera fotográfica? Secretária eletrônica do telefone? Nunca fez isso! Bateria da lâmpada de emergência? Hummm...não! Computador? Será?? Ele muda automaticamente para esse horário burro, mas não consegui lembrar se alguma vez fizera BIIIP em protesto. 

De qualquer modo, aceitei a última hipótese e sosseguei o pito, como se diz em casa, uma vez que o BIIIP não  me pareceu ser capaz de provocar uma faísca escondida, que me fizesse saltar da cama no meio da madrugada, ou me sufocasse aos poucos com fumaça.

Na segunda-feira, por força de ir ao veterinário com o cão alérgico, saquei da bolsa atrás da porta e, como é de praxe, liguei o celular, que dorme em berço esplêndido, desligado, pela simples razão de que acho pouco inteligente usá-lo em casa, se tenho um telefone fixo à disposição.

Espere ai! Eu disse liguei o celular?  Em fração de segundos peguei o BIIIP do sábado e traduzi por aquela coisa morta em minha mão. Não acende a luzinha da tela, não diz coisa nenhuma e não liga, não liga e não liga. Simplesmente fez BIIIP... e morreu!

Muita falta não fará enquanto algum técnico não lhe abra as entranhas e descubra se a doença foi terminal ou se ainda há esperança. Não sou maníaca por celular e só me serve para atender ou fazer alguma ligação fora de casa ou para uma seleta mensagem.

Todavia, agora é que vem elas. Experimente ir a algum lugar e responder ao atendente, balconista ou caixa, que você não tem celular. De repente você vira extraterrestre, um ser alienado, figura sui generis, ser  em extinção, que deveria estar num museu ou no hospício.

De olhos arregalados vem a pergunta: - COMO? NÃO TEM CELULAR?(Isso mesmo, quase gritando.)

Todos ao redor olham para você, cochicham entre si, alguns com um sorrisinho irônico, outros desconfiados dessa pessoa que ainda fala, que anda, compra, dirige, paga contas, não parou de respirar e NÃO TEM CELULAR.

Eu garanto a você: é uma experiência inesquecível.
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Update: ressuscitou quando trocaram a bateria que segundo a balconista morre mesmo a partir de um ano de uso. Carambolas! Vida curta a sua, viu?
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O Blogger avisa que não está fazendo uploads de imagens porque estão consertando alguma coisa por lá. Mas será o Benedito?

12 comentários:

Leika Horii disse...

Na época em que meu cel tb tava qubrado eu já imendava que tinha quebrado e eu estava providenciando outro, é realmente desesperador.

bjos

Mauro Castro disse...

Minha cara, o texto não precisa de imagem alguma, creia. Sou um amante incondicional do texto, por si só...

Quanto ao celular, também não sou muito fã, uso por dever de ofício. Tenho amigos que andam com mais de um na cintura. Nóia.

Se eu morasse no paraiso, também não pensaria em tranqueiras eletrônicas.

Há braços!!

Clarice disse...

Leika,,eu tenho celular desde o tempo dos tijolões, mas nunca, felizmente, fui escrava nem chaveirinho deles. Essa mania de celular parece mais loucura do que não ter um
Abração.

Mauro, que é isto, vizinho! Elogio teu vale por dois Ipod, 3 nintendo e mais uns 10 laptops.
As únicas tranqueiras são as que me deixam em contato voluntário com o mundo. Será que isso é perigoso? kkkkk
Abração.

Pitanga Doce disse...

Ah pois foi. Ontem o Sr. Google, "deu-lhe a neura" e resolveu fazer manutenção durante a tarde.

Deixa te avisar uma coisa. Celular é coisa tão safada que não tem conserto. Ou melhor, o conserto é o preço de um novo e depois nunca fica igual. Volta e meia vai fazer biiip. Vai por mim, Clarice. Mas o melhor mesmo são os celulares com rádio. Só dá Araponga no Metrô. hehehe

Clarice disse...

Pitanga, eu sempre peso esse tipo de valores. Antes desse aparelho tinha um daqueles tipo gente fina. Saiu de linha, entrei bem com a grana! Agora só compro aqueles básicos, que só fazem e atendem ligação e mandam mensagem. Nada mais. Nem bateria eu troco.
Abraço.

São disse...

Tenho telem´ovel, mas uso pouco e faz biip quando está a ficar com bateria fraca.

Já passei por essa experiência ao não saber o número de cor, rrss

A Net anda desatinada de todo, qur fúiria!

Um bom final de semana, lindeza.

ManDrag disse...

Minha querida amiga,

É deplorável essa patética suposta dependência que as gentes acham ter dos aparelhos electrónicos de comunicação.
Eu tenho um celular todo catita, com um design ultra fashion que inclui um dragão desenhado por aquele careca bonitão tatuador do programa televisivo "Miami Ink". E apenas me serve de despertador, quando necessário. De resto está desligado na gaveta. Tenho aversão a telefones e afins. Detesto ficar pendurado num aparelho falando com alguém que não vejo e olhando para a parede.
Casos como os que se passou contigo só demonstram a falta de educação das pessoas. Esse funcionário deveria ser asperamente repreendido pelo seu superior ou patrão. Cliente não é para achincalhar. Gente reles! Esse povinho sem educação!

Abraço e solidariedade

Clarice disse...

São, não saber meu próprio número ocorre vezes sem fim. Afinal não ligo para mim mesma, é a desculpa que uso. Isso às vezes inicia até boas conversas.
Felizmente não sofro desse mal de dependência da algema eletrônica.
Abraço, bela.

Mandrag, eu até gosto de uma boa conversa, mesmo que por força das circunstâncias aconteça por telefone. Moro bem afastada e se censurar esse canal fico isolada demais.

O rapaz que me atendeu na realidade mostrou um espanto tão genuíno, que me fez rir(eu sempre encontro um lado menos ruim). Enquanto isso quem estava ao redor não desgrudava do teclado a mandar mensagens ou escrever sei lá o que. É um exagero essa conexão constante. Chegar ao ponto de se fazerem campanhas para não enviar mensagens enquanto dirigem um carro é a prova de que ultrapassaram a linha. E isso é pelo mundo afora, sem exceções.
Agora vamos colocar um localizador sob a pele? Danou-se!
Abração.

Espaço do João disse...

Ao princípio, ainda alinhei com o celular.Mas depois de ver que estava a ser perseguido por ele, peguei-o mesmo a jeito e, foi de encontro a uma parede. Remédio santo, isto já foi há alguns anos, jamais peguei num celular. Estava a executar um trabalho e, toca o bicho. Recomeço a trabalhar ele começa a chamar-me, até que desapareceu e, não estou arrependido. Agora trabalho à vontade e, ninguém sabe onde estou.

Clarice disse...

João, algumas pessoas tem uma tal insegurança que precisam de outras a segui-las. Ainda não joguei nenhum contra a parede, mas esqueço que ele existe, esse cadeado eletrônico.
Abraço.

Dalva Maria Ferreira disse...

Seus textos são sempre MUITO bem escritos, Clarice. Passam, ao mesmo tempo, uma impressão de colóquio, de coisa expontânea, e perfeitamente redigidal. Uma delícia de se ler. Quanto à falta de celular... eu também já passei pelo constrangimento de declarar que não o tinha. Me senti uma ET.

Clarice disse...

Dalva, obrigada pelo gentil comentário. Vindo de uma poetisa de sua envergadura me força a melhorar e melhorar.
O celular foi salvo por uma bateria nova. Aleluia!