TRANSLATOR( BLOG OR POST)

28 de abr de 2010

Pegando no Tranco

(Olha a Lua!)
Não é surpresa para mim descobrir que o que eu tinha como certo  precisava de uma revisão. Questionar e aprender é vital para mim. Assim aconteceu com a  Lua. Já era adolescente quando me dei conta que era uma bola e não um disco. 

Como pensar diferente? Não havia aula de astronomia naquela escola do interior, o mapa mundi esparramava a Terra em duas fatias achatadas, que me faziam dar tratos à bola(trocadilho sem planos-mais um) para entender como a China ficava do outro lado e como aquilo seria redondo. Imagine pensar que a Lua, tão linda em noites geladas, perdida naquela imensidão silenciosa pudesse ser uma bola. Principalmente porque ela sempre me mostrava a mesma face. Só podia ser um disco!

Hoje em dia, quando leio algo inimaginável para aquela época, como revistas com artigos de física quântica ou análise do afastamento dos astros, expansão do universo, buracos negros, big bang, acho que progredi, pois não?

Desnecessário, mas digo assim mesmo: só descobri que nuvens não são placas achatadas acima de nossas cabeças, quando, deslumbrada, deslumbradíssima, olhei pela janela de um avião Bandeirante de uns 20 lugares, que me levou de Florianópolis a Chapecó(faz tempo, a pista ainda era de terra batida).

Ninguém consegue traduzir o que encheu meus olhos naquele momento. Mesmo aquela bola que se formava no estômago cada vez que entrávamos numa delas, ou descíamos abruptamente tirou o encanto.

Talvez venha daí um dos motívos por que adoro voar. Depois de deixar a condição de humana presa ao solo, o que mais me põe com cara de matuta vendo cidade grande é tudo o que se vê da janela de um avião. Pelo menos enquanto não me lançar de ultraleve, ou saltar de paraquedas.

A foto é do quintal. Abril traz nuvens rosadas, lilazes, e aquela vontade de ser um passarinho.

9 comentários:

Gloria disse...

Pelo jeito vimos a mesma lua ontem. Não que o nosso mundo tenha vários satelites,mas poéticamente cada um de nós tem uma lua, um sol, nuvens e estrelas particulares.A minha, ontem, estava assim, bem distante, como não querendo se envolver com ninquem, olhando tudo e nada ao mesmo tempo, com vergonha das drogas que fazemos por aqui.Bjs ressucitados

Pitanga Doce disse...

Clarice, essa vontade de ser passarinho passa por aqui, viu? Gaivota, asa-delta, avião a jato e vamos nós!

Quanto à Lua, nada como uma lua de Agosto, você onde e você sabe com quem!

beijos bela e acho que "il pleut"!

Clarice disse...

Glória, depois de tanta água até levei um susto quando ela apareceu clareando tudo, já na segunda. Ontem estava linda anunciando que no final de hoje ou amanhã, vem água outra vez. Sabe o ditado?: arco longe, chuva perto?
Pois a minha lua da juventude fica cada vez mais parecida com a que vejo hoje. Continuo a mesma boba que se espanta com toda novidade e sempre louca por desafios.
Sinto saudade, porém daquela menina que sabia que o mundo ia além do que via e agora que está do lado de fora enfia as mãos na terra pra não esquecer de onde veio.
Se você já viu a lua, não demora tá vendo a vida do jeito que é: linda!
Beijos

Pitanga, eu bem que avisei sobre a chuva, né? Galochas e sombrinha e fuja de alagamentos.
Voar faz bem quando é voo duplo.Se não for assim, só desgasta.Encolha as asas e vá guardando energia, menina.
Por um lado te invejo, pela alegria, pelo prazer, pelo que há de bom. Mas por outro, sei não. Imediatista do jeito que sou me consumiria.
Beijos e paciência. Como diz a avó de alguém: o que é teu tá guardado. Que seja bom.

São disse...

A foto esá bonita.

partilho contigo esse gosto de voar Só que, como sofro de claustrofobia, voos além de três horas já me custam muito a suportar.

Um abraço e desejo de altos e bons voos, rrss

Pitanga Doce disse...

E quem foi que te disse que não me consumo?????????? Ó céus!

Anonymous disse...

Oi querida
Falar sobre a Lua, o céu, as nuvens, e ate sobre o bimbalhar de um sino numa torre de igreja em alguma cidadezinha do interior, sempre exigiu de mim inspiração poética. Hoje não estou conseguindo; fico devendo tá ?
Beijinho Lê

Clarice disse...

São, assim fica difícil, mas eu me concentro no segundo em que as rodas saem do chão e aí esqueço que sou humana. Voar acima das nuvens então, me deixa cheia de ahs e ohs!
Abração.

Pitanga, se chegar à fase de água salgada que sai dos zóios, me avisa, que vou aí te dar uma surra de chinelo de pano.
Beijo, bela e curte o lado bom disso, viu?


Lê, pois ficou um comentário lindo! Tinha igreja, sim, e o sino tocava às seis da matina e 18 horas. Tenho pesadelos até hoje com a escadaria daquela torre. E outras artes tipo girar em volta do coqueiro agarrada na palma, num vão de mais de 3 metros de altura. Olha o que voc~e me fez lembrar!
Beijos ensolarados, bela!

Mari disse...

Que lindo o céu da sua terra!

Clarice disse...

Mari, há quem diga que este lugar seja o paraíso. Simples, silencioso e cheio de surpresas. As nuvens dão show o ano todo, mas essa atmosfera de outono é encantadora.
Beijos.