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11 de nov de 2009

Nada se cria



Ao reler o livro de Marina Colasanti,Contos de Amor Rasgados, levei um susto. Fazia uma semana que eu havia assistido o filme sobre a tal história de Benjamin Button, lançado e premiado há menos de um ano.

Vejam bem, a edição que tenho é de 1986. E ali dei de cara com o conto "Do fim ao princípio".


"Nasceu de bigodes e acentuada calvície entre as cãs. Não trajava fraque ou flanela cinza de muito respeito. Vinha nu como todo recém-nascido ao inaugurar sua herança.
Asseado, vestido, alimentado de papinhas, levado a passear de cadeira de rodas, logo começou a remoçar. Surgiam os dentes nas gengivas murchas, endireitavam-se as costas, cobria-se a calva de penugem e, já livre de um certo balbuciar baboso, fazia-se clara a fala.
Foi preciso tempo para que, firmes as pernas, se livrasse da cadeira de rodas. Porém demorou mais ainda para subir à tribuna, palco de seus discursos inflamados. E só anos depois de ter galgado o altar, deu a seus pais a felicidade de vê-lo fardado no serviço militar.
Estudante de brilho, criança prodígio, levou uma vida exemplar. E quando afinal morreu, esperneando no berço, todos lhe louvaram a sabedoria.
Só uma mancha turva sua memória. A ânsia quase grotesca com que, próximo ao final, tentava meter-se por baixo das saias e entre as pernas da mulheres, no afã, talvez, de buscar seu destino, bem, além do que permitem as regras de etiqueta, e da vida."

De duas uma: ou muita gente pensa nesssa hipótese, ou alguém em Hollywood andou xeretando essa história.

A não ser as pequenas diferenças, uma coincidência estranha, com cheiro de coisas que também acontecem por aqui, tipo a Globo fazer um seriado com um taxista que escreve num blog e num jornal, na maior cara de pau, copiando meu querido amigo Mauro Castro.

Vai sair sem comentar?

5 comentários:

São disse...

N~´ao vi o filme nem li o livro, mas que andam plagiando ai andam sim.

Um abraço, ´miga!

Anonymous disse...

Fica difícil comentar pois não li o livro nem vi a mini série. Mas tudo é possível.Beijinho Le.

Clarice disse...

São, Já dizia um sujeito bem informado, que originalidade é a arte de esconder as fontes.
Abração e bom final de semana.

Lê, Marina Colasanti sempre faz bem.
O filme foi bem feito, com efeitos especiais e enredo cativante.
Beijos de sol pra parar a chuva que cai por aí.
Bom final de semana, linda!

Pitanga Doce disse...

É bem capaz que algumas folhas do livro da Marina tenham voado até Hollwood. Quanto ao filme nunca vi um assim tão triste.

beijos e vou a praia.

Clarice disse...

Pitanga, eu me emociono com qualquer filme mais ou menos bem feito, deve ser coisa desse clima, hã hã!
Cena mais triste do que aquela do "Escolha de Sofia", quando ela decide entre os dois filhos qual o que deve morrer não fizeram até hoje. Racha meu coração só de escreve isso.
Amanhã, se tudo correr bem, será dia de visitar blogs e amigos.
Abração.