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23 de out de 2009

Gaiata eu sou, sim, senhor!

Peço desculpas bem rapidinho, de imediato, a quem convidou e a quem me colocou na lista de meus seguidores no tal twitter. Esse é o problema, sabe? É ter alguém me seguindo. Logo eu que detesto que me perguntem onde fui, o que fiz e a que horas, com quem, com qual roupa, com que intenção.

É coisa demais para meu barraquinho, sabem? Caixa de mensagens lota se eu ficar dois dias sem abrir. Metade nem vale ler, outros tantos já passaram. Muitos amigos interessantes para visitar em seus blogs, retribuir visitas e cadê disposição e tempo?

Talvez eu esteja no corredor do inferno astral de novo, eis que Janeiro aponta lá no outro quarteirão.

Ou, quem sabe, a primavera me arrebanhou de tal maneira, que eu deixo o computador para tirar folhas amarelas, flores murchas, preparar um buquê; prefiro afofar os canteirinhos de alface, namorar as mudinhas de salsa que espiam da terra e buscam o sol.

Aceitei um convite e de curiosa fui me inscrever, mas não gostei. Muita demora, não tenho muito o que contar além do que escrevo no blog e mando via e-mail. Ou talvez eu esteja mesmo sem paciência, seletiva que sou.

As idéias me ocorrem às dúzias, mas são coisas que não combinam com aquele espaço tão aberto. A quem caberia saber que eu me interesso por filosofia, que não creio em deuses, que astronomia, bichos, culinária e medicina me deixam acesa; que leio muito; que adoro Tv? Que acabei de voltar do supermercado? Que ando com a roupa que me dá na telha? Que fiz almoço; que xinguei o gato? A quem interessa isto?

Que solidão às pencas é essa, que todos fogem para seus computadores e novíssimos meios de contato para contar o que estão fazendo a cada cinco minutos?

Glória a quem gosta, mas eu andei me questionando sobre essa febre de que todo mundo parece sofrer de querer ser visto, ouvido, lido, seguido.

De que se trata? Já não basta o telefone normal. Tem que ter celular, que não dá mais privacidade a ninguém. Nem pensar em ficar sem conexão, esteja onde estiver. Causa quase uma convulsão cerebral a idéia de ficar uma semana sem computador? Ai, credo, se não conseguir abrir a caixa de mensagens. Vai causar um infarto!

Que limitação é essa? Caramba! Não entendo, juro! Parece doença e eu já tenho as minhas manias para agregar outras. Elas podem não se dar bem, quem duvida?

De que medo sofre essa gente? Que epidemia de telhado de vidro é essa? Não é um pouco contraditório isso de querer que a liberdade e privacidade estejam nos primeiros lugares da lista e ao mesmo tempo ficar grudado o dia todo na rede? Cativo e quase doido, convenhamos.

Desculpem e desculpem de novo. Prá mim é demais isso. Eu não quero que me sigam. Eu prefiro que me encontrem, que me descubram, que me cativem. Esse meio de se mostrar é muito frágil pra minha cabeça, sabem? Eu não me sinto assim tão só para querer conversar (sozinha) a cada minuto do dia, com pessoas que nem sabem de mim, só pra acompanhar a moda, ou para mostrar o que sei, o que li, o que disse o fulano.

Vai ver eu não entendi o espírito da coisa. Ou a coisa tem um espírito que não combina comigo. Ou meu espírito esteja já bem adiante disso tudo, como boa aquariana que sou.

Bem, pelo menos ninguém mais está falando do tal iogurte, ufa!!!

3 comentários:

São disse...

Dás licença que assine por baixo as palavras todinhas que aí (nos) deixas, dás?

Uma feliz semana, zogia.

Anonymous disse...

Faço minhas suas palavras.
Beijinho Lê

Clarice disse...

São, às vezes analiso isso com curiosidade e tristeza.
Abração e boa semana.

Lê, muitas vezes esse tipo de comunicação ajuda e muito. Mas é um pouco de exagero, não?
Mil beijos, linda!