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4 de set de 2009

O que o circo perdeu


Lembra da época do salto cavalo de aço, assim largão e pesado? Pois eu tinha um sapato desses, no auge dos meus 15 anos, quando se usava vestido bem curto. Coisa horrorosa esse sapato.

Trabalhava na ACARESC, que ficava no segundo andar de um prédio.
(Um dia me dei conta de que trabalhei em todas as quatro salas desse prédio e que foi nele que tive meu primeiro trabalho remunerado, aos 9 anos. Mas esse é outro "causo".)

Era verão e chovia. Hora de almoçar em casa. Abri a sombrinha e encarei aquela escada de degraus bem curtos e agudos. Cerâmica vermelha, lisinha. Escorreguei com o salto no segundo degrau. De sombrinha aberta, no melhor estilo do frevo, desci a escada toda escorregando os dois pés ao mesmo tempo em cada degrau, apoiada nos saltos. Tá tá, tá, tá, tá, tá...Eram mais de 40 degraus., faça ideia! Enquanto escorregava escada abaixo, só conseguia pensar: não posso quebrar minha sombrinha nova!

Quem assistiu ao fechamento dessa cena circense foi Lauri Paludo*, que chegou um segundo depois de eu cair sentada no último degrau, ainda de sombrinha aberta.

Eu ali, tão chocada que nem respirava direito. Paralizada. Tão atarantada que acho que nem refletia o fato nos olhos. Não tivera tempo de sentir medo, de tão rápido que desci.
Cavalheiro(mà non troppo), o galã** estendeu-me a mão, estalou um beijo rápido na bochecha e, felizmente, entrou apressado na porta da Cooperativa, sem reparar que a mocinha que levantou, de pernas bambas, estava de traseiro molhado.
Não bastasse a descida meteórica, que poderia até ter quebrado alguns de meus ossinhos, azar dos azares!, eu havia sentado na única poça d´água da escada.
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* Com esse nome comum, é preciso esclarecer: filho de "seu" Aurélio e Dona Diamantina.
**Esse cara, que namorava minha irmã- o safado-, não poupava provocações para me deixar encabulada, por conta de eu ter estudado em colégio de freiras e por ser tímida como só. Numa situação como aquela, se ele não estivesse com pressa, eu pagaria pelo ridículo por muito tempo.
Era galã, hoje é um gordo, acomodado e irreconhecível senhor, que administra seu shopping, esquecido de seus tempos de Seara.
A bonitinha aí veio deste site

4 comentários:

São disse...

Também tenho assim estórias de quedas monumentais...ainda uma noite destas, na cama solitária que é a minha, cheguei às lágrimas de tanto rir ao recordar uma delas.

Bom fim de semana.

Pitanga Doce disse...

Menina, que sorte não partir a sombrinha, hein? Mas a bundinha deve ter ficada toda amassadinha. hehehe

A propósito, a irmã acabou se casando com o "safado"? Sim, porque, cunhado já é um karma que se carrega, ainda por cima "engraçado"!

bom sábado e...tá mandando chuva pra cá?

Anonymous disse...

(Recordar é viver; relembrar com sorrisos o que nos fez sofrer)
Frase da CEIA DOS CARDEAIS¨.¨
Mas faço idéia da lindeza que vc era aos 15 anos, com ou sem tombo.
Bjo Lê

Clarice disse...

SÂO, imagine esses fatos na adolescência. Tinham um peso!
O bom da vida é rir deles agora.
Abração e boa semana.

PITANGA, amassada não, mas até chegar em casa devo ter sofrido por umas dez vidas.
O safado, assim o era, porque descobriu-se que namorava uma em cada porto. Bonito e safado.
Hoje dia de praia, se os viventes não ligarem para o vento. Eu, aqui de vestidinho de mangas e bem fresquinho. Amanhã deve chegar um rabo de chuva lá dos rios grandes.
Boa semana.

LÊ, é verdade. Quem aprende a rir de si mesmo nunca ficará sem motivos.

Menina, naqueles tempos não sei se era bonitinha, mas era encabulada feito bezerrinha nova e gordinha.
Nunca me faltaram motivos para rir de mim, mas aprendi isso bem depois dessas histótias que me faziam sofrer.

Beijão e boa semana.