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6 de jul de 2009

Brincando de criar lendas




Como Nasceram as Ondas

Houve um tempo em que os mares eram como os lagos presos entre montanhas. Quietos como o musgo.

Aconteceu nesse tempo um amor, que de tão intenso não mais cabia em si. Os dois se aninhavam entre peles de ursos quando lá fora havia neve e sentavam na areia até que o sol se escondesse por trás dos morros, quando fazia calor.

Um amor tão intenso e verdadeiro com só podem ser os amores que vivem isolados de qualquer tentação. Quase se adivinhavam. Completavam as frases um do outro.

Tudo o que ele pedia é que ela nunca, jamais se aventurasse a ir além de onde a água salgada cobrisse seus joelhos. Temia que se afastasse. Ela adocicava o olhar e garantia que nem conseguiria se afastar dele tanto assim.

Um banho de mar. Um passo a mais dentro d’água. O vazio sob os pés. Corpo frágil se debatendo. Gritos na areia. Ela estendia os braços fora do alcance de seu amor. Ele tentava em vão alcançá-la. Por fim ela desapareceu.

Então ele rasgou suas vestes e pediu aos deuses que a trouxessem até a areia. Um vento como nunca se vira levantou as águas, formando um arco. E a água se derramou e estendeu pela areia. Vazia.

Até hoje as águas formam ondas por toda a Terra.
Naquela praia ouvem-se os uivos do vento entre as pedras. Todos juram que são os gritos de dor do jovem, que ainda espera que a próxima onda devolva seu amor.
A foto é de meu quintal, feita por mim.

10 comentários:

Verdinha disse...

nao conhecia a lenda :O

e eu quero um quintal assim tb :P

São disse...

A lenda , nova para mim, é enternecedora.

O quintal faz-me cair no pecado de inveja, rrsss

Bom dia!

Anonymous disse...

Que lindo querida !!!!
Beijinhos Lê

Pitanga Doce disse...

Ai mulher que tu somes por mais de uma semana e voltas com uma lenda destas e um quintal que não dá repolhos nem nada e eu lá na árvore às voltas (novamente) com o Resprim! Isto assim não pode ser.

PS: Alugas ao menos a janela????

Clarice disse...

Verdinha, juro que de vez em quando olho pela janela e vejo os cabelos da moça boiando nas ondas. Mas do rapaz nem sinal. Só o vento.
Abraços.

São, será que acertei no estilo?
Inventar coisas assim me consola quando o vento parece derubar minha confiança na fortaleza de minhas vidraças.
O quintal, onde não piso há meses, acredite!, enche meus olhos,com sol ou chuva. Quando vier ao Brasil, venha conhecer.
Abraço.

Lê, de vez em quando eu gosto de brincar com o amor dos outros. Mas sem maldade.
Na minha infância vivi cercada de livros com lendas de todos os tipos e resolvi iventar essa, antes que alguém invente.
Por minha vontade eu nem deixaria a moça se afogar. Ou afogaria os dois, quem sabe. Na hora(da insônia) foi essa a inspiração.
Beijos, linda!

Pitanga, estamos aqui atravessando a fase final de minha gatinha Bambina e uma luta para identificar o que atacou a barriguinha de meu cachorro. Exame de fezes, de sangue, ultrassonografia e mais exame de sangue. É uma correria e uma ansiedade que me tira o sono(a fome, infelizmente, não).
Falta-me ânimo para computador. Venho meio arredia e só aproveito o que já estava em arquivo,leio algumas mensagens, passo outras.
Ontem foi um chororô só, a tarde toda, vendo as homenagens àquele menino artista,que a vida extraviou.
Fazer o quê? Sou contraditória. Romântica que adora rock e prática que não pode ver ninguém chorando que me esbugalho.
Talvez tenha sido o ensaio pelo que virá quando Bambina se for.
De qualquer maneira, hoje comemorei mais um ano do filho, passeei pela Lagoa da Conceição, ri um pouquinho.
Beijos e desculpe a falta de repolhos, viu? :)
Saúde pra você.

Tiago Medina disse...

que história bonita.
Trilha sonora perfeita: João e Maria, do Chico Buarque.
"E agora era fatal, que o faz de conta terminasse assim, pra lá desse quintal, era uma noite que não tem mais fim, pois você sumiu no mundo sem me avisar, e agora eu era um louco a perguntar, o que é que a vida vai fazer de mim."

Mauro Castro disse...

Deixa eu adivinhar: a praia em questão era Pântano do Sul...
Há braços!!

Clarice disse...

Passei os olhos depois de escrever e senti falta de algumas letras. Pressa demais.Sorry!


Tiago,acredito que a moça virou espuma para contagiar quem se banha no mar. Será que é por isso que grandes paixões nascem no verão?
Música mais que perfeita.
Abraço.

Mauro, baleias e golfinhos passam por aqui, mas não trazem notícias.
O quintal continua lindo como sempre.
Beijos.

São disse...

Olha que eu aceito, rrss

Do estilo, gostei.

Beijinhos.

Ah, e minha casa também espera por ti.

Clarice disse...

São, a casa é modesta, mas vou recebê-la com carinho.
Obrigada pela gentileza do convite.
Beijos.