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7 de mar de 2009

Coisa de comadre

Antes que alguém confunda esta com aquela, melhor especificar que a comadre a que me refiro é a que segura pimpolho em batizado e as pontas em crismas, casamentos e outros rituais que pipocam em todos os templos de todos os tipos. Mas também é aquela que de comadre só tem a vizinhança, um muro que só faz separar terrenos, mas nunca assuntos, filhos e preocupações comuns.

Quem nunca teve uma comadre? Não? Mas mãe que fazia visita às comadres em tardes de domingo para bater um papo, comentar a vida alheia, trocar receitas de bordado, desejar melhoras, deixar um doce como agrado para que a saúde voltasse logo, teve? Nem pra fazer filó em noites de lua e céu estrelado?

Bem, eu tive, mas não aprendi esse sagrado ofício de fazer visitas. Quase detesto a obrigação, apesar de gostar demais de levar sustos com campainhas, quando chega alguém de quem eu goste. Conta minha mãe, que já aos 4 ou 5 anos mal eu chegava- arrastada, é bem verdade- até a casa de uma vizinha(todas elas viram comadres!) já me pendurava na saia dela a pedir : Caja, mãe! Vamo pa caja!

Mais tarde comecei até a procurar algo que compensasse aquelas horas de cadeira entre adultos e descobri coisas para quebrar, ou motivos outros para levar uns tapas onde não batia sol.

Desconfio que eu era a escolhida para companhia nesses desafios por também ser um. Quero dizer, afastada do resto da turma eu dava menos trabalho. Quanta energia desperdiçada! Quanta esperteza mal encaminhada! Ô, dó!

Mas, o que se há de fazer. Era o costume daqueles pedaços de chão de cidade pequena. E assim eu me submetia a esses "sacrifícios", que não duvido, despertavam inveja dos que ficavam em casa, ou felicidade por serem dispensados do ofício.

Não consigo deixar de contar que foi numa dessas visitas, que eu descobri, na casa da nona Alexandrina, que me ajudou a nascer, que flores de begônia são deliciosas. E toma tapa na mão por atacar um vaso vermelhinho, cheinho delas. Gosto até hoje e meu gato também. Das flores, não dos tapas.

Blogue é uma coisa curiosa. Comecei a digitar tangenciando a comadrilança(isso existe?) para assuntar outro aspecto dessas visitas e fui me soltando nas lembranças.

O que eu queria escrever era mais ou menos isto: comadre/compadre que não me visita, desaparecerá de minha lista de favoritos e indicados e dificilmente será (re)visitado.

Não é difícil de entender, não é? Seguindo o exemplo dessas comadres, depois de uma visita vinha sempre a retribuição. "Hoje a mãe vai pagar a visita de Fulana! ".

Sei, sei. Não existe uma regra de etiqueta para internet, mas convenhamos, que seria pelo menos delicado retribuir e deixar um registro da visita. Mesmo que nunca mais apareça.

Minha lista vai ficar que é um toco. Talzinho as begônias da nona Alexandrina.

A foto foi feita no meu terraço, com sol a pino, ano passado. O que explica essa falta de qualidade da imagem. Mas eu quis fotografar...antes que fossem comidas.

5 comentários:

São disse...

Lerei mais tarde, sim?
Agora é só mesmo para te desjar um Dia da Mulher muito bom!
Por sobre o mar, o meu abraço.

Cristiane A. Fetter disse...

Já passei por isso.
bjks

Pitanga Doce disse...

Ih, sabe que também andei a fazer uma limpeza lá "na cozinha" do lado direito e nos favoritos também? Aparece cada figura que pensa que é o cometa Halley, só de cem em cem anos, né não?

beijos e tem MULHERES lá em casa. E eu ia deixar passar só pra gozar?

Carlos Ferreira disse...

Clarice
Muito obrigado pela sua visita ao GARATUJANDO e pelo comentário amável e muito gratificante que me deixou.
O "VEJA O QUE EU VI" é escrito numa linguagem rica, escorreita e directa. Por isso, e pelo temas, merece ser visto e lido com vagar -que neste momento me falta.
Gostei muito de ler "As comadres". Pelo tema em si, pelo estilo e pela graça.
Prometo voltar noutra altura, logo que possível, porque o seu blog é, de facto, um exemplo a ter em conta, para visita obrigatória.
Até breve, pois.
Renovo o meu agradecimento.
Cumprimentos

Carlos Ferreira

Clarice disse...

São,viva nós!
Beijos e boa semana.

Cris, já comeu begônias? Ficará jovem para sempre, amém! Ou era arrastada em visitas de comadres?
Beijos e fique bem. Prepare-se para receber, deixe ver, a primavera? é isso. Chega de neve!

Pitanga,acho que é falta de alinhamento astral.
Boa semana.

Carlos, é sempre um prazer visitar seu blog tão bem construído. Como se diz por aí: é um brinco de lindo!
Nem sempre que passo por lá deixo comentários, mas leio tudo com muito interesse para conhecer um pouco mais de Portugal e aprender a reconhecer a beleza em poemas e artes que lá colocas.
Boa semana e bem hajas.