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13 de fev de 2009

Sempre me cabe um novato!


Assim que enfiei o meu calor de meio-dia a 32 graus porta adentro, vi um amontoado de homens em torno de uma telinha de computador. Bem arranjada, agora. Ter que me intrometer em alguma cena erótica para me anunciar.

A moça interrompeu meus passos e salvou minha pose de madame encalorada, em cima de saltos e de vestido colorido pelas canelas, apesar do calor e mostrou o rapaz que seria o vendedor. Qual o quê? Bonito assim? Que pelo menos seja eficiente.

Ai, ai, ai! Tão logo dei a ele quarenta e cinco minutos para me mostrar e vender um carro, antes de cumprir meu horário com a dentista, percebi onde havia me metido. Saímos da recepção e andamos, andamos e andamos. Atravessamos a loja inteirinha. E eu gemendo por dentro. Torcendo para que ele não fosse o dono da última mesa. Não sei se vocês sabem, mas o vendedor mais novinho, com menos experiência, sempre ocupa a última mesa.

Era. Depois da mesa dele uma vazia, esperando um desempregado.
A caminho da mesa fomos nos testando. Ele a desfiar aquela conversa de marqueteiro de rua e eu a demonstrar que não era do clube das desinformadas, só perguntando:
-
E quanto faz por quilômetro?
- Não, moço, nunca deixar o tanque abaixo da metade, que é isso?
-São 8 ou 16 válvulas?
-Quantas libras nos pneus?
-Capacidade do porta-malas?
-Tem ar quente?
-O motor é 1.6?
-A potência reduz em quanto com ar-condicionado?
-Os tapetes de graça, com certeza?
-Entrega em quanto tempo?
-Regulagem dos bancos? Do volante?
-Cadê a antena?
-Transfere o som do carro velho?
-Não, o motor é de gasolina, adaptado!

Ele arregalando os olhos, nem acreditando que não precisaria fazer força para me convencer. Eu já sabia meu limite e o carro que queria, só faltava a cor, que faria uma diferença de centenas de reais. Há uma mania no Brasil, em geral, e em Floripa em especial, de dar preferência à cor prata, sob a imbatível idéia de que é mais fácil manter, mais resistente à maresia e outros quetais.

Ele derrubando meus argumentos, querendo que eu levasse o branco:
- Repare neste detalhe e no outro e isto e aquilo. Vai ficar muito elegante nesse carro. Lindo com película! Fácil de conservar, eu garanto, meu carro é branco e já fui lavador de carros!

Conversa vai e vem, eu puxando para o que interessa na hora da compra. Chegamos a um acordo sobre o valor e prazo de pagamento. Um velho conhecido da loja, enquanto isso, olhava com lupa meu velho(nem tanto!) Raio de Prata, guerreiro bem conservado, mas precisando mudar de ares. Desta vez ele se deixou levar pela aparência exterior. Do carro.

Lição aprendida para a próxima troca. A primeira pergunta ao encarar o vendedor:
-Há quanto tempo você trabalha aqui?

Depois e só depois, ouvir qualquer coisa que venha de um rapaz que está fazendo a maior força para se sair bem e mostrar serviço aos chefes. Um sujeito que não só sabe usar a palavra, mas o sorriso na hora certa e, apesar dos exageros para espalhar seus saberes sobre carros, compreendeu rapidinho, que não deveria forçar demais para não perder a chance.

Sabe como é, mulher independente e sem meias-palavras. Não me custa nada dar até-logo e fazer meia volta, se o cara ficar chato e não me vender o que vim comprar, exatamente na cor que eu quero.

Ah, sim! O rapaz vai longe. E eu irei longe também. De carro branco.

11 comentários:

Susana disse...

Não vou lembrar direito da referência, mas existiu um anúncio que dizia: não existe perfume melhor que o de um carro novo! Parabéns e aproveite o carnaval para fugir de Floripa dentro dele.
Beijos.

cleiammf disse...

O au-au agora tem que usar laços , gravatas bem coloridos, senão, só tu, "negrona", vai aparecer no novo vrum-vrum!!!!
Que bom! Como comentou a Susana, cheirinho de novo só faz bem.

Bjocas

Mauro Castro disse...

O branco lhe cai bem, Clarice, o moço tinha razão.
Há braços!!

Mauro Castro disse...

Além do carro, minha amiga, você precisa trocar o link do Taxitramas, que continua apontando para o antigo endereço hahahaha.

Ah, acho que não vamos a Santinha neste verão. Snif.

Há braços!!

danielli disse...

(sexta-feira 13!) de carro branco, uau *_* !
Beijos Clarice

Clarice disse...

Susana, pior que eu sou enjoada. Mesmo descobrindo que aquele "perfume" é artificial e que tem muita psicologia por trás dele, sou tão, mas tão enjoada, que não gosto do cheiro que eles usam, imitando couro, porque detesto esse cheiro. Até de calçados.
Mas o carro tá bão de sentar e fazer um cursinho, menina! Nunca vi tanto botão num carro tão simples!
Carnaval? Onde, vivente? :)
Vez em quando sinto saudade de você por aqui, viu?
Beijão.

Kica, apesar da areia que me cerca, a cor anda fraca. Mas os retrovisores são pretos. Bancos também. Vidros idem. Estou salva de cair numa poça de leite e desaparecer!
Valeu economizar os trocados e trocar o carro. Agora vamos à sopa de pedras por uns meses. rs.
Beijão.

Mauro, pena que vocês não vão aparecer. Mas se durante o ano surgir um espaço, uma escapadinha pelo menos pra dar umas voltas pela Ilha, certo?

Já consertei o link. Preciso mexer em todos, mas ando numa maré de preguiça com esse calor...
Abraços a todos.

Dani, pra garantir, saí com ele da loja no dia 11. hehehe!
Beijos, lindinha!

W.Henrique disse...

Parabéns, Clarice. Quando o carro é novo, com aquele cheirinho inconfundível, a cor passa a ser questão meramente subjetiva. Que legal ver um amigo dando as costas para a propalada "crise". Vou tentar te imitar mas só no final do ano. Que o fon-fon novo te traga imensas alegrias.

W.Henrique

São disse...

Te desejo muitas e estupendas viagens nesse teu carro!

Se for anfíbio, atravessa o oceano que cá te aguardo, rrrsss!

Feliz domingo.

Pitanga Doce disse...

Tá reclamando do que??? Da cor?? Ah pára com isso (PÁRA com acento)E euzinha que nem bicicleta tô podendo??? Aliás, até fazer sinal pra táxi tá difícil. buáááááááá

PS: Nunca gostei de carro branco. Zanga não.

Anonymous disse...

Clara boa semanaaa estou indo para Poa hj ehheheeh

Parabéns pelo carro!!!

Os bichinhos vão adorarrr passear de caro novo rs rs

Bjss Ângela

Clarice disse...

Waldemar, questão é passar pra frente o outro antes que a ferrugem roa tudo.
A crise existe, mas quem guarda tem, não é verdade? Passo sempre do tamanho da perna.
Reparou que eu só queria se fosse prata e saí de branco?
Abraço.

São, ainda não tem cacife para anfíbio, menina, mas amei saber que você me espera por aí. Hum...quem sabe 2010?
Beijos e boa semana.

Pi, pois não entrei teimando no prata? Cara bom de conversa esse moço e o carro é bem bonitinho assim branco.
Tem aí um apito na sua casa? É de grande ajuda em caso de asas partidas.
Beijos.

Ângela, caramba! Finalmente, hein? Esses amores são feitos de pura saudade.
Abraço ao Fernando; beijão e feliz viagem pra você.