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23 de jan de 2009

Um olho na poeira outro na poesia

Ontem foi dia de tirar a poeira de massa corrida de cima de meus livros. Traças fugiram um dia antes.

De repente cai um papel amarelinho de cansado de ficar entre páginas pouco visitadas:

Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
e das bocas unidas fez-se a espuma
e das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento
que dos olhos desfez a última chama
e da paixão fez-se o pressentimento
e do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente
fez-se de triste o que se fez amante
e de sozinho o que se fez contente


fez-se do amigo próximo o distante
fez-se da vida uma aventura errante
de repente, não mais que de repente.

(Vinícius de Morais)


E na minha memória o fundo musical "....o que é que há, diz pra mim o que é que há..." do mesmo Vinícius.

2 comentários:

GK disse...

Venho agradecer o comentário sobre Coimbra e sobre a Coimbra 2003.
:)

Clarice disse...

GK, um lugar tão lindo e teu blog mostra recantos inusitados;uma defesa de sua cidade de modo tão apaixonado que contagia.
Abraço.