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28 de jan de 2009

O risco de ser honesta


Todo mundo já viu aquelas definições sobre como você se vê, como seus amigos veem você, como seu espelho mostra você e como você pensa que seus amigos veem você. Ou, como disse a vendedora de telefones: "Quando não me vejo no espelho sou a mulher mais linda do mundo! "

Isso não tem nada a ver com aquilo que seus amigos e pessoas próximas pensam sobre você, mas é um bom começo para essa divagação.

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Faz alguns anos que um ex-colega(ultimamente tenho muito receio de chamar alguém de amigo, que essa palavra está meio vulgarizada), esteja onde estiver, manda um cartão, quando faço aniversário. Não há essa intimidade tanta com ele nem muita convergência em interesses, a não ser que trabalhamos vários anos junto e ele gosta do que eu gosto, como se diz por aqui. No mais, confessou que se gostasse de mulher, eu seria a única com quem ele se casaria. Imagine meu susto!

Essa não foi a confissão mais estapafúrdia que já ouvi, mas é assustador pensar que alguém pensa que te conhece, a ponto de considerar a hipótese de te propor casamento, mesmo gostando de homens. Caramba! Bem verdade que para aplacar críticas pelas preferências dele, lasquei-lhe uma bitoca na frente de todo mundo, só pra desafiar, o que era muito de meu gosto nos tempos atrás(imagine fazer isso há 30 anos, bem antes da Hebe), mas, caramba de novo!

De uns tempos para cá, talvez uns 3 ou 4 anos, ele acrescenta música ao cartão. É isso que me golpeia na nuca. Ele pensa que sou colecionadora de, digamos, músicas e cantores tão fora de moda, que se tornaram difíceis de ouvir, pelo simples fato de que são baixo astral, chorosos, do gênero dor de corno e antros escuros, crimes passionais, porres emocionais e etílicos.

A essas alturas o máximo que eu ainda ouviria, mas num momento muito especial, seria Maysa e olhe lá! Mas peraí! Dalva de Oliveira? Em vinil?

Este ano, o carteiro chamou e eu desci pensando: o que foi que ele mandou este ano, meu Zeus!

Recebi com carinho e muita gratidão as palavras e desejos dele. Ele não é má pessoa, não! Tem um coração que é um trem e gosto dele. Mas continua a pensar em mim como a donzela que foge do cavaleiro andante. Mandou-me uma tal de Ada Falcón.

Gentes desse mundo e do outro! Fui pesquisar quem era a dama depois de ver a lista de músicas. Sim, antes de ouvir uns cinco segundos de cada. Foi o máximo que aguentei. Uma ilustre desconhecida. E olhe que já ouvi algum cantor e cantora nessa minha vidinha!

Não! Não é por ser antiga*! Nasceu em 1907. Sou muito eclética em relação a música e cantoria(menos os gritalhões ditos sertanejos e essa nojeira de rap e música de carro batestaca). Mas tango- tango crianças!- cantado por essa senhora deve provocar suicídios, com certeza! E olhe que eu até gosto de tango, sim senhor!

Agora, digam aí se eu exagerei. Mandei-lhe uma mensagem de agradecimento, abraços e coisa e tal e informei que, pô, Fulano!... eu fiz só 55!

Ano que vem eu conto no que resultou minha honestidade.

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*Só para confirmar que não é pela antiguidade: tenho o vinil de 78 rpm com "Índia" original e várias outras relíquias italianas e alemãs dessa época, guardadas com muito cuidado e uma seleta de boleros de rasgar o coração.
A imagem veio daqui

Um comentário:

Helô disse...

santa virgem das velharias! vinil 78!!!

quando me lembro que minha mãe tinha uma coleção... e por achar que eram velharias, permitiu que as três meninas tinhosas usassem os discos para finalidades as mais diversas... vem à memória um arranjo de natal que a irmã mais velha fez, usando o 78 como base, modelado com água quente.

vai saber o que tinha naquela coleção...

beijo de sol liiiindo!