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19 de nov de 2008

Acende a luz aí, ô meu!

Vinte e duas horas. Noite pequena ainda nesse horário de verão. Chove, como todos os dias há quase um mês. Adiantando um tricozinho e vendo um filme só com o rabo do olho, que os olhos mesmo estão ocupados em vigiar a bicharada. Sem qualquer aviso, como sempre acontece, a luz se vai.

Quando ameaça chover no Piauí, aqui neste canto da Ilha não se deve duvidar: faltará energia. Nem é de relatar quando explode um transformador. Tudo o que se pode fazer é ir para o terraço e apreciar o espetáculo pirotécnico enquanto os homens do conserto não aparecem.

Quando algum tresloucado derruba um poste passamos a noite como no início dos tempos. Se a noite tem estrelas e lua é um show!


E a escuridão aqui é negra mesmo. Só se vê as lâmpadas de emergência que acendem em dois prédios vizinhos. Lá longe alguém que já conhece o roteiro acende uma vela, uma lamparina, uma lanterna, ou uma lâmpada de bateria, como a que eu tenho desde o apagão de 12 dias(quem não lembra, ó horror!). Se há algum barco atracado a vila tem claridade garantida. Já aqui no canto...

O jeito é largar o tricô por alguns minutos, sacar um vinho e esperar que a claridade volte para, quem sabe, pegar o finalzinho do filme.
Não voltou tão cedo.O vinho rendeu. O tricô rendeu. Pelo menos até a segunda taça. A gatinha embaixo da mesa(viu?) dormiu sossegada. A lâmpada de emergência agüentou até quase meia-noite.

Ah, reparou na vela? Quem nunca colou uma vela na tampa de um vidro levante a mão.

9 comentários:

W.Henrique disse...

Ah....e vem me dizer que não é gostoso sair da rotina tecnológica lá uma vez ou outra e voltar a respirar os momentos de antigamente ? Um dia desses eu fiz uma aventura só por mera curiosidade. Quando meu pai faleceu (ele era alfaiate) deixou, entre outros pertences, tres ferros de passar roupa "movidos" a carvão. Fui na churrasqueira, peguei alguns pedaços de carvão, tasquei dentro do ferro , fiz uma brasa legal e passei tres camisas com o dito cujo. Foi uma experiência e tanto. E, pra variar, minha mulher me chamou de maluco, que eu podia botar fogo na casa, e etc..,etc.., etc...

Um abraço

W.Henrique

Mauro Castro disse...

Aqui em casa a gente tem uma vela daquelas decorativas, aromáticas, sei lá. Ela nunca decorou nada, mas quebra o maior galho quando a energia se vai...
Há braços!!

Tiago Medina disse...

O problema é que noites sem nuvens têm sido uma raridade aí em Floripa. Como tem chovido, né?!
Sim, acabei meu trabalho e me fui à Ilha no primeiro fim-de-semana. Descanso merecido. Pretendia ia à praia no domingo, mas choveu... O jeito foi aproveitar a casa mesmo...

beijo

São disse...

Sabe que uma vez aqui , em Portugal, se ficou desde o centro do país até ao sul sem luz e depois o Governo disse que tinha sido uma gaivota a causadora?
Juro que é verdade!!
Beijinhos.

Pitanga Doce disse...

Mas o que se passa com Floripa???
Então o arsenal de emergência dos moradores é uma vela, lanterna e sempre um bom vinho da geladeira porque a noite pode ser longa!

E as "famosas linhas de transmissão de energia" que o atual "desgoverno" prometeu?

Haja tricô, ó filha!


Olha, vou te dar uma dica: Ares de Minha Graça. Ela hoje fala das mulheres dos eternos crochês. Vai lá.

Não é feriado aí hoje, pois não?

Clarice disse...

Waldemar, se eu contar que passei muita roupa em casa com ferro de brasa você acredita? Em Seara chegou energia elétrica quando eu tinha uns 7 ou 8 anos. No colégio de freiras era só desse tipo e os elétricos só servia, pra passar os hábitos e roupas de capela engomados. Aqui ao meu lado está uma miniatura que ganhamos quando tínhamos 5 anos. Ainda funciona.Mas hoje só serve de calço para a porta.

Doces lembranças de noites brincando com a parafina amolecida da vela, alguns tapas na mão de vez em quando, ou ter o privilégio de acender o lampião de camisinha(poucos sabem o que é isto!).
Abraço.

Mauro, a falta de energia sempre pega a gente longe dos fósforos ou da lanterna. Depois que vim morar aqui tive que criar alguns truques para andar pelo apartamento sem provocar um acidente antes de chegar à lanterna.
É só faltar luz e eu determino: todo mundo quieto! E saio arrastando os pés até achar a gaveta onde vou achar a salvação da pátria.
Sugestão para a vela decorativa: junte um ramalhete de flores, abra uma garrafa de vinho e mande Bruninha passar a noite na casa da amiguinha. ;)
Abraços.

Tiago,Parabéns de novo! Que melhor lugar para descansar e comemorar do que aqui, não é? Mesmo com chuva é um excelente prêmio. Continue voltando que eu garanto que numa dessas você acerta o sol!
Abraços.

São, gaivota mal-intencionada, caramba!
Aqui, por conta de um incência nos cabos sobre a ponte que nos liga ao continente, ficamos 12 dias no escuro a penar com conservação de alimentos; velas não mais havia, pilhas para lanternas também não. Puxei de minha memória a lamparina de óleo, mas era de oliva e o cheiro é indescritível. O jeito era dormir cedo e ouvir radinho de pilhas e uma hora por dia ligar a tv a pilhas. Nunca mais quero passar por isto!
Abração.

Clarice disse...

Pitanga, não é nem em Floripa. É aqui no fim da Ilha. Começa a temporada de praia, aumenta a população, chove, troca de fiação sei lá. Só nesta semana foram duas noites sem claridade.
Eu só finjo de tricoteira pra fazer uns coletes pras crianças do abrigo. Mas valeu a dica.
Aqui não é feriado eu acho. Os negros aqui comemoram todos os dias, ó pá!
Já reparou: dia da negritude, dia do negro, mas aí se você chamar de negro... Tem que falar afro-descendente. Hipocrisia, né?
Devo visita a um monte de gente. Ando um pouco ocupada com a bicharada por estes dias.
beijos de chuva.

Helô disse...

O lampião de camisinha! Resgataste um pedaço da minha infância, que na praia não tinha eletricidade e todas as noites era a briga pra decidir quem de nós ajudaríamos a acender o lampião! E quando tinha lua cheia antes de dormir saíamos, a família completa, para uma caminhada até a beira do mar. Ê saudade...

Eu gosto tanto de velas que no inverno passo noites iluminada por elas. Quem não tem lareira...
beijo grande e bom tricô.

Clarice disse...

Helô, às vezes tenho a impressão de que estou ficando velha. Só a impressão(kkk), porque essas coisas hoje a gente encontra em lojas de antiguidade, ó céus!
Passeios com céu de estrelas e muitas vezes no inverno era quando se fazia filó na casa dos vizinhos.
Beijão.