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16 de set de 2008

Um Silêncio de Ouro, Prata e Bronze

Há dias venho ensaiando o que escrever sobre esse assunto e engasgo sempre na perplexidade, na falta de palavras coerentes e exatas para passar adiante a emoção que vivo há duas semanas. Farei o que posso.

Pela primeira vez na televisão brasileira um canal (Sportv2)transmite competições de atletas com deficiências físicas. Elas vem acontecendo há bem menos tempo que as olimpíadas, é verdade, mas foi necessário que por alguns anos esses personagens ultrapassassem em medalhas os ditos normais ou convencionais, para que a mídia abrisse os olhos.

Enquanto todas as atenções se voltavam sempre para aqueles fortões e bonitões, durante o dia todo, bastava que as paraolimpíadas começassem e sumia todo mundo. Quem tivesse interesse por gostar ou por ter algum amigo ou familiar participando, ficava restrito àquelas curtíssimas notícias vindas sempre de longe, atrasadas. Quando vinham.

Até que esses rapazes e moças passaram à frente dos olímpicos, em número de medalhas e de participações, jamais envergonhando, jamais decepcionando.

Tenho assistido a tudo o que passa durante o dia e até a hora de ir dormir. Afinal a China fica do outro lado da bolinha.

A abertura foi de emoção pura. Um espetáculo de sensibilidade, de encanto, de arte, de superação. Aquela menininha dançando balé na cadeira de rodas é uma imagem permanente. Os braços em luvas dançando com movimentos idênticos ao dos pés... o que dizer? E tanto mais.

Os atletas desfilaram com tal orgulho, com tanta alegria, que por pouco eu não levanto da poltrona e aplaudo. Mas o choro foi impossível de conter.

A abertura das olimpíadas foi indescritível e todo mundo viu. A das paraolimpíadas nem todos. Destinada a quem foi, mereceu criatividade e demonstração de amor do mais puro. Não ficou abaixo da primeira em nada. Em absolutamente nada!
Tem um aspecto que me deixa triste. Aqueles atletas todos que passam de longe mil dificuldades a mais que os atletas comuns, pela gravidade de suas deficiências, pelo preconceito, pelas dores, pela falta de apoio, todos eles deveriam sair de lá com um prêmio. Não digo uma medalha, isso seria desmerecê-los, teria um caráter de prêmio de consolação. Seria humilhante. Eles não precisam de nenhum prêmio de consolação.
Mas como não torcer por todos aqueles jovens, alguns correndo em cadeiras de rodas, outros nadando sem os dois braços(eu juro que vi um garoto na piscina sem os dois braços e sem as duas pernas!), lançando pesos sentados em bancos, lutando judô sem visão e todos os casos de paralisia cerebral, e tantos e tantos.
Todos com um sorriso. Todos! Todos merecendo ganhar. Eu torcia pelo Brasil sempre que estava representado, mas no fundo, mesmo sabendo que essas competições acontecem exatamente para colocá-los em igualdade e tirá-los da obscuridade, eu ficava triste quando as competições terminavam e eles desapareciam do vídeo. Tantos anos de preparação!
Que exemplo e que vergonha para esses atletas de última geração, que pedem desculpas quando erram, que exigem, que reclamam, que exaltam suas dificuldades. Todos mereceram suas conquistas e me emocionaram, vibrei com eles, mas os deficientes deram um exemplo de superação inigualável.
Se você não teve oportunidade de assistir pelo menos a uma competição das paraolimpíadas, ainda há tempo. Terminam amanhã.E nas próximas, em Londres, fique de olho, procure ver e ouvir as declarações dos atletas. São lições inesquecíveis.

Para saber mais sobre as paraolimpíadas e os prêmios fantásticos que eles estão conquistando, dê um passo neste site .

Foto: Daniel Dias, medalhista de ouro em várias competições,
deste jornal

2 comentários:

Pitanga Doce disse...

Clarice assisti a abertura dos Jogos Paraolímpicos lá em Portugal e essa cena que descreves da menina na cadeira de rodas e as outras no chão, à volta, foi de uma delicadeza, classe e bom gosto de quem imaginou a coreografia e das meninas que tão bem a executaram!

beijos e já estou aqui em cima, viu?

Clarice disse...

Boas voltas!
Pena que não haja um prêmio para todos, não é?
Muitos beijos.