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26 de mai de 2008

Exemplar único


Nada como você se ver ou se meter numa situação esquisita e desafiante para rever sua avaliação sobre o quanto é atenta ou cuidadosa e para mexer com seus neurônios, a fim de descobrir a melhor saída.

Então! Tem coisas que até Zeus duvida, mas eu consigo. Ah, sim! Tem coisas que só eu mesma!

Nem tenho a desculpa de que por ser segunda-feira estaria com aquele mau-humor e banzice, que cerca os brasileiros em geral. Primeiro que nunca tive nada contra esse dia e depois que passamos por um feriadão sem muitos ruídos aqui no prédio, o que por si só já é uma glória! Também não por cansaço, que esses dias foram de um dolce far niente, apenas lidando com visita de filho e noiva, miaus e au-au.

Era dia de ir ao veterinário.Manja a cena: elevador pifado. A matrona desce a escada com uma caixa de gato com mais de 7 quilos numa mão e na outra, equilibrando um cãozinho, que (felizmente!) tem medo de escadas, mais uma sacola e mais a bolsa com aquilo tudo que uma mulher precisa para sobreviver longe de casa(memorize essa lista: carteira, documentos do carro, batom, óculos, um pente, celular e caneta). São 60 degraus para subir ou para descer. Neste caso, quase sem ver a borda dos degraus.

Chegamos ao térreo. Ufa!

Soltar a caixa para abrir a porta.OK!

Abrir a porta e segurar com o derrière para ela não bater(eu ainda descubro quem foi o energúmeno que instalou uma mola nessa porta, para amaldiçoá-lo até o fim dos tempos!). OK

Levar a caixa com o gato, o cão e as sacolas até perto do carro. OK!

Colocar a caixa do gato no assento traseiro. OK!

Colocar a bolsa e sacola no chão do banco dianteiro do passageiro. Cuidado que tem uma muda de plantinha.OK!

Colocar o cão na cadeira e prender a guia.OK!

Ligar o carro para ir aquecendo um pouquinho.OK!

Fechar a porta do passageiro. OK!

Tirar do porta-malas um plástico para forrar o assento(o gato às vezes enjoa nas viagens, o luxento!). Chavear o porta-malas.OK!

Colocar o plástico no assento e fechar a porta traseira. OK!

Pronto. Agora é só fazer a volta, entrar e começar a viagem cheia de latidos contra todos os cachorros, bois, cavalos, motos, bicicletas e...Hã? Lembra que você ligou o carro sua anta? Lembra que quando as portas estão fechadas e o carro é ligado ou se já estiver ligado, as portas travam em 5 segundos? Lembra? Tá! Então agora abra o carro, vai! Que maravilha você ser tão cuidadosa, que até chaveou o porta-malas, por onde poderia entrar,né?

E o carro ligado a consumir combustível. E o cãozinho se esgoelando de tanto latir, fechado lá dentro com o gato.

Para quem não lembra, isso é o tal paraíso onde nunca passa carro nenhum. Pessoas a pé então! A essa hora os poucos estão dormindo.

A construção! Deve ter algum empregado à vista que eu possa chamar. Que situação! Trancada no pátio do prédio, sem poder entrar no carro, sem poder entrar no prédio(maldita mola!), sem poder entrar em casa(chaves na ignição). E o cãozinho a berrar!

Sempre há alguém no prédio em construção. Mas não hoje. Ouço os barulhos, mas nenhum à vista.

Vou até o fundo do terreno e oh sorte! há um sujeito carregando material para o outro lado da rua. Exercito meu melhor contralto. Nada! Deve ser surdo, o infeliz!

E o engenheiro que fica na casinha aqui atrás ? Quase perco as amígdalas de tanto berrar e ninguém aparece. Será que esse cara resolveu tirar folga justo hoje?

Ai, que bom! Uma menina e uma senhora do outro lado da rua. "Me ajuda, moça! Me socorra! Hei! Menina! Preciso de ajuda. Aqui, óóó!" Por cima do muro fiz aparecer o que podia dos meus braços e cara. A mulher e a menina olham rapidinho, mas ou não me notam ou, que droga, segunda e já tem maluca a berrar por cima do muro...

Eu comecei a procurar alguma coisa com que quebrar o vidro lateral. Onde encontrar pedras no pátio com lajotas? Em último caso arranco a torneira dessa pia inútil ou uso a letra de metal que caiu da placa.

Numa hora e situação dessa eu me tenho como criativa. Explorei alternativas diversas. Nenhuma resolveria. Respiro fundo e me preparo para a que resta. Vou gritar o mais alto que puder: FOGO! Não! Ainda posso gritar mais uma vez lá nos fundos. Quem sabe?

Finalmente o moço da engenharia resolveu investigar que berreiro era aquele. Depois de eu gritar a ocorrência, ele me pergunta se eu sei de algum chaveiro. Hã!!! Preciso dizer a ele que não tenho lista telefônica comigo(santa paciência!) e que meu celular, lembra? está na bolsa.

Numa rua onde nada acontece, três pessoas às 8 horas da manhã paradas em frente de um prédio, não demora chama a atenção da polícia! E esse chaveiro que não vem, caramba!

Meia hora depois(e o carro ligado, já acionando o ventilador para não aquecer o motor) eu descobri que uma certa borracha retirada da porta, abre caminho para o mecanismo da maçaneta. "Mas vai demorar um pouco, porque está travada!"

Mais 15 minutos e muito, mas muito latido(imagine, um estranho querendo entrar no meu carro!), eis-me com as portas abertas, chaves na mão e R$50,00 mais esperta.

Pelo menos o vidro continua inteirinho, diz a Pollyana que mora nas minhas roupas.

(A moradora que ainda estava em casa, cujo interfone eu acionei assim que vi a situação que eu criara, sai, enquanto o chaveiro ainda está na primeira tentativa, com a maior cara de sono e jura que não ouviu nada!)

9 comentários:

Berta Helena disse...

Que grande aventura, Clarice. Tão bem contada que eu li do princípio ao fim cheia de interesse.

Beijinhos. E cuidado com as chaves.

Clarice disse...

Berta, nem um pouco parecida com tuas belas, comoventes e tão bem contadas histórias, mas foi a aventura do dia. Lição para separar as chaves de casa e do carro.
Abração.

Pitanga Doce disse...

Mas que sistema de travas mais rápido, caramba! As minhas só acionam depois que eu andei uns metros. Isso faz me lembrar da porta da casa do lado de lá do Atlântico. Se eu a bater com a chave do lado de dentro (mesmo que não esteja virada no tambor) ela não abre por fora. Só chamando os bombeiros! A estes sistemas de segurança chama-se "proteção contra ladrão e dono". hehehehe

beijos, Clarice, e não sabia que "o médico bonitão" tem gênio ruim.

cap disse...

:)

O que você "inventa" só para blogar, hem Clarice!?

Abraço.

Clarice disse...

Pitanga, é tão rápida asssim, só que a tansa aqui não deixou nem uma janelinha aberta para garantir a entrada.
Aquele ator é meio "diva". O ator negro é um charme só e sumiu!
Abraço.

Cláudio, viu do que eu sou capaz? Se bobear acabo no jornal como avis rara!
Abração.

Pitanga Doce disse...

Clarice, estás acompanhando a vergonheira do caso Isabella? É lamentável as coisas que acontecem no nosso país.

Helô disse...

Clarice, quase despenquei da cadeira de tanto rir! E eu tava precisando, muito. Um quilo de obrigadas :)
beijo

Clarice disse...

Helô,ainda bem que eu já consigo rir de mim mesma de vez em quando. Mas na hora a vontade é sentar no chão e chorar de raiva.
Beijão.

Helô disse...

É, eu concordo, na hora dá raiva, muita raiva. Mas depois passa, né?
Felizes os que conseguem rir de si mesmos!