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11 de dez de 2006

Todo dia é dia de índio!

Era sete de setembro. Alguém havia desfilado de tanga e penacho. A menina, perto da mãe que era professora, se encantou com aquela leveza, aquele movimento de penas, braços e pernas e pinturas no rosto, que viu enquanto os caras-pálidas guardavam suas fantasias nos armários e voltavam a ser alunos. E teimou tanto, pediu tanto, fez bico e tanto chorou, que convenceu a mãe a achar uma fantasia daquela que lhe servisse.


Cara de bugra ela já tinha, nariz arrebitado que lhe valera o apelido desde o berço(que um dia ela gostou e hoje abomina). Depois daquela destemperança de menina de quatro anos, melhor aproveitar o fotógrafo e clicar a cena. Montar a cavalo nem pensar! Então alguém com uma imaginação além das nuvens, resolve montar a cena nos verdes que ficavam em frente à escola e registrar a façanha em preto e branco.

E assim, em 1958, uma menina descendente de italianos, tirou a blusa, vestiu a fantasia e virou índia. Como ela se sentiu antes de se saber gente. Que preserva na sua essência, nos verdes que planta, nos chás que toma, no cuidado com a vida, no carinho com animais, na liberdade que defende com unhas e dentes(e flechas, se necessário), na vida ao ar livre, na aversão a roupas e calçados que lhe tolham os movimentos. Mesmo quando se fantasia de alguma moda de salto alto e meia preta por gosto ou obrigação.


E vários anos depois, não por coincidência e sem qualquer planejamento, aparece um traje em um cor-de-rosa jamais imaginado por qualquer índio e ela nem pensa duas vezes. Traça uns riscos esquisitos no rosto e pula e dança a noite toda! Até hoje jura que não era fantasia.


(Eu lembro daquela manhã com detalhes riquíssimos. Das conversas das outras professoras sobre meu desejo de vestir(?) aquela fantasia, do ruído dos alunos trocando de roupa, de pequenos toques de tambores enquanto eram recolhidos, de pessoas me arrumando entre as folhas e galhos, de alguém pedindo para olhar para frente, levantar o queixo, baixar o olhar. Depois meu choro querendo ficar com a roupa. Não é minha primeira lembrança da vida, mas é uma das mais gostosas. Já a noite de carnaval traz lembranças descartáveis e sem a menor importância.)

2 comentários:

Dalva Maria Ferreira disse...

Claire, você era lindinha aos quatro anos, linda aos (x) e deslumbrante nos dias de hoje. A formosura vem de dentro!

Anonymous disse...

Uai sô...
india itaiana ?
me belisque prá vê se é vero !

Na foto mais recente, você está linda com um rosto de muita felicidade !
neu