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1 de dez de 2016

7 de nov de 2016

Meu amor pela água nasceu assim

Desde pequenos aprendemos a cuidar da água, que chegava em casa desde uma fonte lá no morro, bem longe, talvez uns dois quilômetros. Estive lá na fonte poucas vezes, sempre pra limpar o filtro do cano, tirar uma folha que entupira a entrada.
Espiávamos o morro pra ver se não aparecia algum boi extraviado. Bebíamos na concha da mão aquela água quase gelada, que descia  o morro por canos enterrados e nos servia para tudo. Nunca nos fez mal bebida assim. Em casa passava pelo filtro de cerâmica, aquele de velas, que eu odiava lavar.  

Havia tanques na casinha - que nunca foi chamada de edícula, que horror de nome! Para ter uma ideia, a primeira porta da tal casinha era uma grande gaiola, onde foram criados frangos, galinhas, até coelhos. 

Depois um sanitário. Aí vinha um banheiro bem grandão, com um chuveiro de água fria e um chuveiro de fazenda, daqueles de encher com água aquecida no fogão,de puxar a cordinha pra soltar água. Chuá!!!



Aí vinham os tanques de água.Um de água limpinha, tão limpinha onde lavávamos às vezes as frutas e as cenouras colhidas na horta. A água escorria para outro tanque, onde se enxaguava a roupa, e o terceiro acolhia a primeira lavagem, sempre com sabão em pedra. Essa água escorria para as árvores, quando ficava muito suja. 








(Olha a audácia de desenhar. Era mais ou menos assim.)

Eram caquizeiros, pés de vime, copos de leite, tudo regadinho sem esforço. E lá mais embaixo, depois da taipa de pedras, os pés de milho da vizinha ainda tiravam uma casquinha. Depois, a água já purificada do sabão ecológico, ia pro rio, que nem sempre era tão limpo assim e onde tomávamos banho, quando o verão explodia.

Essa relação com a água tinha um acento de fartura, de um nunca mais acabar. Mas não abusávamos dela. O banho era curto, mesmo quando aquela lata suspensa foi substituída por um chuveiro que aquecia, colocado num banheiro recém construído, grudado na casa. Oh, luxo dos luxos!

Quando crianças, usávamos uma banheirinha de latão, de zinco talvez. A água escoava num ralo, do chão da despensa para debaixo da casa,onde não havia nada, só terra seca, quase inacessível. Então essa água com cheiro de sabonete, de banho de sábado, iria perfumar teias de aranha e espantar algum rato desprevenido. Nos dias de inverno com geada, essa era a opção.

Banho de sábado. Não tinha banho todos os dias, imagina! Justamente porque o chuveiro ficava fora da casa, ou, quem sabe, se lavar os pés, o rosto e a bunda fosse suficiente. Mas no sábado era uma esfrega geral. Sem esquecer atrás da orelha, hein!

Esse ritual vinha antes das aulas de catecismo. Na volta delas a vida voltava ao normal: trocar de roupa,subir em árvore, ler algum livrinho, brincar de casinha ou boneca.(

Aí as pessoas se vão pela vida e só tem água com cheiro de cloro ou numa garrafa. Beber da fonte, na concha da mão, nem pensar! 

Um dia desses comentando sobre o assunto com uma de minhas irmãs ela acrescentou: Lembra como era nosso cabelo com aquela água?

E eu emendo: E a água cristalina, que a gente tomava das valetas da estrada, quando ia caminhar com a turminha e dizia que era pura se tivesse passado por sete pedras? De onde saía isso? Por que ninguém ficava doente?

Suspiro...
Suspiro...Suspiro...


21 de out de 2016

Adeus, querido Lenzi!

Uma das pessoas de mente mais aguda e perspicaz. Culto e inteligente. Sério e debochado. Uma pessoa que acompanhava meu pensamento e se antecipava a ele. Um dos poucos que me desafiava: “Melhore o argumento!” “Ainda não me convenceu.” “Continue...continue.”

Qualquer assunto poderia ser abordado, inclusive os extremamente pessoais e dolorosos. Quase acadêmicas as discussões. Se ficassem muito intensas parávamos quase ao mesmo tempo, trocávamos um olhar e o assunto mudava. Vinha a música, o teatro, a literatura.

O lado profissional ou famoso dele só era abordado quando algum caso o incomodava, se obtinha algum sucesso trabalhoso, e quando a nomeação almejada na área da Justiça chegou.

Ficávamos em qualquer mesa de bar ou restaurante e a conversa se desenrolava sem ponteiros. Se batia a fome pelo adiantado da hora, pedíamos qualquer coisa e a conversa seguia solta e sem fim, até que um dos dois lembrasse do relógio. Um abraço generoso, um beijo e a vida seguia até o próximo chamado ou encontro ao acaso.

Se topasse comigo na praia, interrompia a caminhada e chamava uma água de coco ou cervejinha. ”Enchendo os olhos na praia, lageano?” Ele fingia uma zanga divertida: ”Só tenho olhos pra ti, italiana difícil!” E ria, debochado.

Sua cretina!, você dizia com um sorriso, quando eu, maliciosamente, desviava uma discussão, fugia dos galanteios de conquistador, ou ganhava de seus argumentos. Eu devolvia: Não seja canalha!

Quando se via sem saída arranjava um palavrão sem censura. Ou gargalhava, talvez para se contradizer e me surpreender.

Existia uma paixão no ar, mas não havia chance de deixar que progredisse. Nosso melhor lado era a amizade. Até aquele dia que nos descuidamos, brigamos feio por um motivo idiota e nos afastamos. Para sempre, agora eu sei.

Ontem descobri, quase por acaso, que você morreu há dois anos. Como você fez isso comigo, italiano? Ir sem aviso, sem outro encontro?

Eu olhei para o computador e não sabia se chorava ou chamava você de tratante.

Como você saiu de uma discussão que extrapolou nosso acordo e ficou tanto tempo inacessível, sem me dar a chance de gargalhar sobre essa tolice como fizemos tantas vezes?

Que jeito de zerar o placar, lageano! Que surpresa sem graça! Que dor! Que dor! Que dor!

Por que eu sempre achei que um dia nos sentaríamos outra vez para falar de tudo e nada? Por que eu continuei afastada, pensando em você como um dos meus melhores amigos e achando que você era eterno? 

Porque você é.

11 de out de 2016

Vai comprar? Vai Gastar?

O que você gasta quando compra alguma coisa não é o dinheiro. O que você gasta é o tempo de vida que usou para ganhar aquele dinheiro. José Mujica

30 de set de 2016

Encontrei por aí

"Quantos anos tenho?
Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.
Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada. E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.
Quantos anos tenho? Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas, valem muito mais que isso...
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!
O que importa é a idade que sinto. Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos. Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho? Isso a quem importa? Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto..."
[José Saramago]


Será mesmo do Saramago?

Justine a palavra é sua.

29 de set de 2016

Gostosuras da Infância

Existem alguns doces e sobremesas que não precisam de nomes bonitos nem sofisticados. Basta que tragam aquele saboroso gostinho de infância.
Peras em calda eu coloco nessa lista. Como de olhos fechados. Gosto de todo jeito, quente, gelada, calda que vira refrigério no verão. Com muita canela e uma pitada de cravo da índia, açúcar e nada mais é a que mais gosto. Ou coroando com calda de chocolate. Mais chique? Fervida em vinho tinto e especiarias. Assadas no forno...
Então com sua licença, que agora vou preparar as que comprei no sacolão do bairro de manhã. Lindas, suculentas e cheirosas.


2 de set de 2016

Darcy, meu Eros sem Tanatos


Confesso sem receio: Eu tinha uma queda por esse cara. Nada erótico, nada hormonal. Aquele jeitinho dele de olhar e, principalmente, o sorriso maroto, o mastigadinho apressado da fala me paralisavam em frente à televisão, enquanto ele desfiava sua cultura e paixão por tudo. Vi e ouvi todas as entrevistas que pude. Revi muitas. Não disse que tinha uma queda? Era uma queda e tanto! Não acompanhei a carreira política, exílio, etc, nem nada, não é uma avaliação de seu desempenho isto aqui. 
Eu sabia de seu envolvimento e amor sem medida pelo povo como uma unidade, sem patriotada, e pelos índios E pelas mulheres!
Era um namorador, conquistador incorrigível, apaixonado pelo corpo e alma das mulheres. Ai de mim se eu o tivesse conhecido ou convivido com ele. Seria um voo sem volta. Ele era um apaixonado também pelo amor, pela sensualidade, pela vida.
Tive a enorme, a indescritível sorte de comprar Casa Grande e Senzala(40ª edição da Record) prefaciada por ele. Já li e reli incontáveis vezes aquela enormidade de prefácio. São páginas e páginas de pura sedução, cultura, lirismo, humor e paixão. Quase nem li o livro, tamanha a capacidade de Darcy de cativar com um assunto que poderia ser tão árido como a composição e características de todos os tipos da raça brasileira, seus encantos e mazelas.Quem tiver a oportunidade leia. Só o prefácio dele já vale o livro.
Há uma frase que ele reproduziu em uma entrevista, de uma história de um índio, que me emociona. Haviam morrido a mulher desse índio e seu filho. Contava Darcy que o amor que tinham era tanto, que o índio simplesmente deitou na rede "e se morreu".
Apagou de amor. "Ele se morreu" é diferente de "ele se matou" ou "ele se suicidou". Que frase!
Instigada por um texto escrito  no Facebook sobre o amor, retornei a um livro que devorei aos prantos quando ele morreu: Eros e Tanatos.
Ele queria, implorava em poesia para viver mais e escancarou o que tinha para negociar por mais e mais e mostrou as razões do pedido, contou das mulheres que amou, por quem se apaixonou, com quem apenas esbanjou sensualidade.
Segue a introdução a uma das partes do livro(página 62), onde ele começa a mostrar a paixão pelo feminino e grita por mais tempo. O Eros.
"Amar é meu modo de viver. No amor floresço.Sem amor, murcho. Falo do amor inteiro, carnal e sentimental. Há o só carnal. Tesões ferozes que às vezes nem se concretizam nunca, mas ai ficam, cultivadas no peito, no sexo, contaminando as confluências amorosas e as circunstanciais. Há, também, o outro, o só espiritual. Anjo sem asas se arrastando, saltitante. É, às vezes, o triste destino do amor exaurido, se convertendo em amizade fraternal, digno. Digníssimo até, mas insípido. Insipidíssimo. Deus me livre e guarde,(Darcy Ribeiiro, Migo,1988)"
Que saudade de você, Darcy das paixões todas!

31 de ago de 2016

Para uma amizade quase amor




Inquietude
Quem mandou, oh, incauta, abrir uma fresta da cortina e deixar que entrasse a luz?
Quem mandou abrir a caixa de recortes, flores secas, bilhetes e fitas?
Quem mandou que trouxesses as palavras há tanto guardadas, 

que se transformaram em espada e te puseram no chão,
sofrendo por um amor que nem tiveste?
Quem te guia, zonza de lembranças,
por esta noite sem lua, sem rumo?
Quem mandou revolver o fundo do lago?
Isso é só o desejo impossível de ser tudo outra vez, tonta!
Guarda presto essa saudade do que nem foi vivido,
essa agonia do que teria sido.
Nessa lembrança jamais houve qualquer plano.
Por que sentes saudade do que foi apenas 
a doçura de um risco no céu?
Fica em silêncio, afoga o nó na garganta.
Deixa que repouse a cortina outra vez
antes que desembeste a represa.I
Repousa o passado onde lhe cabe ficar.
Cerra os lábios e te cala. 
Tira dos olhos as imagens do que nem foi amor,
mas violento e enganoso fogo que tudo consumiu.


Menos a lembrança, essa cruel companhia que me trai.

Para uma amizade quase amor

nquietude
Quem mandou, oh, incauta, abrir uma fresta da cortina e deixar que entrasse a luz?
Quem mandou abrir a caixa de recortes, flores secas, bilhetes e fitas?
Quem mandou que trouxesses as palavras há tanto guardadas, 

que se transformaram em espada e te puseram no chão,
sofrendo por um amor que nem tiveste?
Quem te guia, zonza de lembranças,
por esta noite sem lua, sem rumo?
Quem mandou revolver o fundo do lago?
Isso é só o desejo impossível de ser tudo outra vez, tonta!
Guarda presto essa saudade do que nem foi vivido,
essa agonia do que teria sido.
Nessa lembrança jamais houve qualquer plano.
Por que sentes saudade do que foi apenas 
a doçura de um risco no céu?
Fica em silêncio, afoga o nó na garganta.
Deixa que repouse a cortina outra vez
antes que desembeste a represa.I
Repousa o passado onde lhe cabe ficar.
Cerra os lábios e te cala. 
Tira dos olhos as imagens do que nem foi amor,
mas violento e enganoso fogo que tudo consumiu.

Menos a lembrança, essa cruel companhia que me trai.

Para uma amizade quase amor

Inquietude
Quem mandou, oh, incauta, abrir uma fresta da cortina e deixar que entrasse a luz?
Quem mandou abrir a caixa de recortes, flores secas, bilhetes e fitas?
Quem mandou que trouxesses as palavras há tanto guardadas, 

que se transformaram em espada e te puseram no chão,
sofrendo por um amor que nem tiveste?
Quem te guia, zonza de lembranças,
por esta noite sem lua, sem rumo?
Quem mandou revolver o fundo do lago?
Isso é só o desejo impossível de ser tudo outra vez, tonta!
Guarda presto essa saudade do que nem foi vivido,
essa agonia do que teria sido.
Nessa lembrança jamais houve qualquer plano.
Por que sentes saudade do que foi apenas 
a doçura de um risco no céu?
Fica em silêncio, afoga o nó na garganta.
Deixa que repouse a cortina outra vez
antes que desembeste a represa.I
Repousa o passado onde lhe cabe ficar.
Cerra os lábios e te cala. 
Tira dos olhos as imagens do que nem foi amor,
mas violento e enganoso fogo que tudo consumiu.


Menos a lembrança, essa cruel companhia que me trai















23 de ago de 2016

Cadê meu pé de meia?

Olha a ideia genial para aproveitar meias sem par, meias furadas, meias perdidas,meias cafonas. A boa ideia veio desta página, que tem muito para ver. 

Pode encher a cobrinha com restos de espuma de travesseiros velhos, ervas secas, sementes, areia.

3 de ago de 2016

2 de ago de 2016

Coisas da horta

Essas duas atendem minha urgência e curiosidade

A vagem de ervilha é espetacular, tanto na rapidez de crescimento quanto na fartura de vagens. Fácil de cultivar e só exige algumas horas de sol, terra adubada e água. Deliciosas tanto a vagem quanto as ervilhas. 
Olha que fartura no pé com menos de dois meses. Está plantada numa floreira comum. O vaso que aparece atrás é dos mirtilos preguiçosos.Tem que armar apoio porque enche mesmo de ramas e vagens. 


Olha a pitanga metida na foto. Uma das sete que vingaram. 

Elas são roxas mesmo. Não é efeito da luz. Veja mais de perto( a foto é da internet).

Caso alguém se interesse em comprar semente para cultivar, procure por PISUM SATIVUM SHIRAZ. 

A outra é a mostarda chinesa. Um pouco de sol, terra boa, água e só! Não tem frescura nenhuma, brota fácil, cresce rápido e pode ser comida crua ou cozida no vapor, salteada na manteiga ou no azeite. 
Essas são de meu canteiro.













Eu, que não aguentei a curiosidade, colhi algumas folhas, mas se deixar chegarem ao seu ápice, ficam assim.




Duas delícias, sem dúvida.

As duas podem ser encontradas em sites que vendem sementes, por preço muito acessível.

Se plantar a ervilha, deixe uma vagem secar no pé para ter sementes para plantar.

Sugestão de sites onde comprar delícias:

31 de jul de 2016

Santa e Bela Catarina

Não importa o que você conheça ou tenha ouvido sobre Santa Catarina, Brasil.

Este vídeo vai surpreender você.